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Mapeamento de fronteiras pode identificar rotas de armas e drogas

O governo brasileiro quer fazer um mapeamento das fronteiras com objetivo de tentar identificar as rotas de entrada no País de drogas e armas. Esse levantamento será feito com base em dados colhidos nas áreas de inteligência da Polícia Federal e do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que estão intensificando as reuniões e a troca de informações, por determinação do governo federal.O mapeamento foi anunciado pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em debate no Congresso nesta quarta-feira, como uma das medidas de combate à criminalidade no País. Tanto a Polícia Federal quanto as Forças Armadas reconhecem, porém, as dificuldades de promover esta identificação, principalmente nas áreas de fronteira amazônica, que somam mais de 15 mil quilômetros, grande parte delas de floresta.Uma medida, no entanto, é considerada fundamental pelos dois setores para que esta estratégia dê certo: a regulamentação da lei do abate, que permite à Aeronáutica derrubar aviões em situação irregular que não obedeçam ao comando da vigilância aérea. Hoje, isso não é permitido, e a Aeronáutica alega que não tem poder efetivo para coibir o uso de aviões pelo narcotráfico.Quando interceptam conversas de traficantes nos rádios, se posicionam ao lado dessas aeronaves e determinam que elas pousem, os pilotos da FAB são brindados com gestos obscenos dos traficantes, que dão adeus e vão embora deixando a Força Aérea sem poder reagir, relata uma fonte militar.Algumas medidas já estão sendo adotadas pelo governo para permitir o mapeamento das fronteiras. Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou ao Ministério da Defesa que autorizou o repasse dos R$ 140 milhões para que os aviões da FAB possam voar, dando prosseguimento ao controle do tráfego aéreo.O presidente autorizou também a contratação de mais policiais federais, que poderão atuar nas áreas de fronteira. Há 72 unidades do Exército distribuídas pelo País, mas, por falta de recursos, são poucas as que contam com homens da Polícia Federal para a execução de trabalho conjunto com as tropas.Paralelamente, a Aeronáutica está completando a instalação de radares na Amazônia, que serão ligados aos centros regionais de vigilância do Sivam. Do total de 25 radares, faltam quatro - os de Guajará-Mirim (RO), Cruzeiro do Sul (AC) e Porto Esperidião (MT) já estão em fase de instalação, e o de Eirunepé (AM) ainda está sendo montado.Com o início da operação do Sivam, houve redução de dois terços no número de vôos clandestinos na região. Por isso mesmo, o governo tem dado prioridade ao cumprimento deste cronograma. O trabalho de cerceamento do narcotráfico, advertem os militares, têm de ser feito também, e principalmente, nos pontos de consumo, com ações policiais em grandes centros consumidores como Rio e São Paulo.Eles consideram "ilusão" achar que seja possível fechar fronteiras para evitar a entrada da droga, ainda mais em um País de dimensões continentais como o Brasil. "Se isso fosse possível, os Estados Unidos já teriam acabado com os problemas que têm na fronteira com o México, que é pequena, se comparada com a nossa, que é de 15 mil quilômetros, sendo a maior parte de selva", observou outro oficial. Veja o especial: Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e os ministérios

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