"Marajás" da Câmara paulista serão investigados

O Ministério Público de São Paulo deverá se reunir na próxima semana com o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Arselino Tatto (PT), para definir o esquema de trabalho a ser adotado na tentativa de acabar com o escândalo dos altos salários na Casa, onde um diretor técnico de departamento ganha mais de R$ 48 mil.Tatto acredita que as medidas que já estão sendo adotadas para "cortar todo o excesso" devem começar a surtir efeito antes da conclusão da reforma administrativa, prevista para 31 de agosto. "Tem coisas absurdas e até indecorosas na Câmara", disse. "Na quinta-feira recebi uma decisão da Justiça que determina o pagamento a 15 funcionários de salário de R$ 17 mil. É um processo transitado em julgado e não cabe recurso."Para ele, há muito o que fazer na Câmara e um estudo da Fundação Getúlio Vargas está ajudando a identificar as áreas onde devem ser feitos os cortes. "Já acabamos com a gratificação de gabinete, suspendemos a reposição automática de quem saía e pretendemos informatizar toda a Casa", disse.Gordas aposentadoriasO vereador afirmou que a Casa enfrenta também o problema dos aposentados que continuam trabalhando. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM) constatou que 55 deles recebem "gordas aposentadorias", além de salários entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.Outra questão que vem sendo analisada pela presidência da Câmara e na qual Tatto promete "colocar um ponto final" com a reforma administrativa - que prevê também o corte de funcionários e de gratificações -, é a o do excesso de servidores. Há vereadores que mantêm nos gabinetes 26 assessores que deveriam trabalhar num espaço de pouco mais de 10 metros quadrados. Os salários dos assessores variam de R$ 3.200,00 a R$ 15 mil.Tatto espera que os promotores designados pelo procurador-geral de Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, o ajudem a analisar a situação e indiquem os caminhos legais a serem seguidos. "Aceito ajuda mas não aceito imposição. Estamos querendo acabar com os altos salários, com os absurdos, e a ajuda será aceita." Segundo ele, "o orçamento este ano é de R$ 203 milhões. Desse total, 70% está comprometido com a folha de pagamento." Apesar do discurso, o gasto com a folha de pagamento corre o risco de aumentar. Um projeto, em fase de tramitação, defende a contratação de mais funcionários para todas as bancadas. Seriam 77 cargos com salários de R$ 3 mil a R$ 5 mil. Tatto garantiu que a proposta será rejeitada.

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