Maranhão tem 59 mil desabrigados devido às fortes chuvas

Estado contabiliza nove mortes; ao todo, País soma 44 mortes desde que começaram as enchentes

Wilson Lima, Especial para O Estado,

08 de maio de 2009 | 18h25

Com a chegada do mês de maio, cresce a expectativa pelo término das chuvas em todo o Maranhão. Pelos dados da Defesa Civil Estadual, já são 59 mil desabrigados e desalojados e 182 mil atingidos em todo o Estado. Até o momento, foram confirmadas nove mortes no Estado. Ao todo, em 11 Estados, as chuvas e enchentes já deixaram outras 911 mil pessoas afetadas. 126 mil pessoas estão desabrigadas e outras 57 mil desalojadas. Os números foram divulgados nesta sexta-feira, 8, pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec).

 

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O número de mortes chega a 44 em oito Estados: Ceará (12), Maranhão (9), Paraíba (2), Pernambuco (1), Bahia (7), Alagoas (4), Amazonas (8) e Santa Catarina (1). Os danos atingiram 320 municípios localizados em dez Estados: Ceará, Maranhão, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas, Amazonas, Pará, Pernambuco e Santa Catarina.

 

A Sedec informou que foram encaminhadas mais de 129 mil cestas de alimentos e um total de 1,4 milhão de kits com colchões, cobertores e travesseiros às regiões onde a chuva fez estragos.

 

Com tantos desabrigados, agora faltam abrigos para muitas vítimas das chuvas. Em Bacabal, cidade onde foram registrados 6.690 desabrigados e desalojados e 19.575 afetados, chegou-se a colocar temporariamente pessoas em um estábulo da Exposição Agropecuária de Bacabal (Expoaba). Mas, o juiz da 1ª Vara de Bacabal, Osmar Gomes dos Santos, interditou o abrigo por falta de condições de higiene do local. As pessoas foram removidas para outro abrigo em Bacabal.

 

Em Trizidela do Vale, cidade mais atingida pelas chuvas com 8.153 desalojados e desabrigados e 14.997 afetados, os alagamentos também começam a tomar conta dos abrigos no município. Sem local para onde ir, cinco ou até seis famílias dividem galpões mínimos de 40 a 50 metros quadrados. A própria governadora Roseana Sarney (PMDB) admitiu o problema essa semana e solicitou ao governo federal pelo menos 500 unidades de barracas de lona para atender a essa demanda. E, em Trizidela do Vale, a tendência é que esse quadro piore ainda mais porque o rio que corta a cidade, o Mearim, não para de subir. Ele já está 10,5m acima do nível normal.

 

Rodovia

 

A BR-316, uma das mais importantes rodovias do Maranhão, foi liberada parcialmente, na manhã desta sexta-feira, 8, para o tráfego de veículos com peso de até 27 toneladas, segundo informa a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A travessia estava interrompida há 15 dias, quando as chuvas destruíram uma ponte de 17 metros no quilômetro 415, em Alto Alegre. Segundo a assessoria de imprensa do governo estadual, um reparo provisório viabilizou a passagem da água e dos veículos e tornou desnecessária a utilização de uma ponte móvel do Exército que chegaria no final de semana.

 

Os caminhoneiros, parados há dias, retomaram suas viagens. Alguns transportavam cargas perecíveis, como frutas e hortaliças destinadas à Central de Abastecimento de São Luís. O trabalho de recuperação do trecho interrompido foi realizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), com o acompanhamento da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).

 

O tráfego também foi normalizado no km 125 da BR-010, entre os municípios de Estreito e Carolina. O trânsito está sendo feito apenas em um sentido por vez no km 281 da mesma rodovia, entre as cidades de Imperatriz e Açailândia. O mesmo ocorre na BR-222, nos quilômetros 259, no povoado de Bombasa, 211, em Itapecuru-Mirim e 450, no povoado Floresta, município de Santa Luzia do Tide.

 

Na BR-226, a liberação do tráfego também ocorre apenas em um sentido da via, no Km 286, próximo da cidade de Barra do Corda. Na BR-316, a depressão na camada do asfalto no km 154 pode acarretar a interdição da rodovia entre os municípios de Araguanã e Nova Olinda.

 

Na BR-402, o tráfego continua sendo feito apenas em um sentido da via por vez no Km 54,perto do povoado Prata, entre o município de Morros e entrada para Humberto de Campos.

 

Ceará

 

Aumentou para 72 o total de cidades cearenses atingidas pelas chuvas. Nesta sexta-feira, 8, entraram na lista Palmácia, Potiretama e Reriutaba. Nenhum delas, entretanto, está entre as 23 em situação de emergência. O número de feridos passou de 140 para 145. O de mortes mantém-se em 12. Os temporais já danificaram 7.003 casas e destruíram outras 807.

 

A Defesa Civil registra 26.727 pessoas desalojadas - tiveram de ir para a residência de parentes. Estão desabrigadas (dependem de abrigos públicos) outras 17.105. A Polícia Rodoviária Federal informou que não existem estradas interditadas no Estado em decorrência das chuvas.

 

Pará

 

Uma criança morreu afogada na localidade Curuá, no oeste do Pará, depois que o nível do rio Tapajós, agravado pelas fortes chuvas que caem na região, atingiu a marca de 9 metros acima do nível normal. De acordo com a Defesa Civil, a menor de 4 anos teria caído na água por distração dos familiares.

 

Em Belterra, um dos 32 municípios do Estado sob estado de emergência devido às chuvas, a força das águas do Tapajós invadiu um cemitério, na localidade Porto Novo, arrastando túmulos e caixões. A prefeitura só irá recuperar o cemitério depois que baixar o nível das águas. As famílias vizinhas ao local também fugiram de suas casas, abrigando-se em prédios públicos.

 

Em municípios como Santarém, Óbidos, Oriximiná, Alenquer e Monte Alegre, além de outras 17 cidades ribeirinhas há 50 mil moradores que tiveram suas casas inundadas. Desse total, 4.700 estão desabrigados. No povoado de Aramanaí, de acordo com o chefe da Defesa Civil na região, Marcos Norat, um restaurante teve sua estrutura abalada pela correnteza do rio.

 

Na aldeia Takoara, os índios tiveram que se deslocar para um outro ponto. Eles estão assustados com a força da natureza e dizem que isso é um "castigo" contra a devastação da floresta amazônica. "Nosso maior problema é o acesso à localidades mais distantes. Há comunidades inteiras isoladas pelas águas", disse Norat.

 

Após audiência anteontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a governadora Ana Júlia Carepa pediu R$ 85 milhões para recuperar pontes e estradas destruídas pelas enchentes. Lula encaminhou o pedido ao ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

 

Bahia

 

O sétimo dia seguido de chuvas na região metropolitana de Salvador voltou a causar transtornos e levou mais uma cidade da área, Candeias, a decretar situação de emergência. É o oitavo município baiano a adotar a medida. Os outros são, além da capital, Lauro de Freitas, Simões Filho e Vera Cruz, na região metropolitana, e Camacan, Guaratinga e Mascote, no sul do Estado.

 

Duas das principais avenidas de Salvador, a Ogunjá e a Centenário, foram interditadas por causa de deslizamentos de terra de encostas, que invadiram a pista. O bloqueio causou grandes congestionamentos na cidade, em especial na região da Barra e do Centro da cidade.

 

Além disso, durante a madrugada, parte do forro do teto da Residência Universitária I da Universidade Federal da Bahia (Ufba) ruiu, por causa de uma infiltração. Ninguém ficou ferido. Os estudantes fizeram um protesto na frente da reitoria da instituição e conseguiram ser transferidos para pousadas da região.

 

Na residência moram 100 estudantes que já haviam sido vítimas, há duas semanas, de um alagamento dentro do prédio por causa do estouro de uma tubulação de água. Como resultado, 60 deles passaram uma noite acampados na sede da reitoria. Segundo a reitoria da Ufba, um novo prédio está sendo construído para abrigar os alunos. As obras têm previsão de término para outubro. No prédio antigo, serão realizadas obras para sanar as infiltrações.

 

No novo Estádio Metropolitano Governador Roberto Santos (Pituaçu) - que foi reformado e reinaugurado, pelo governo do Estado, no início do ano, ao custo de R$ 55 milhões, e vai receber o jogo Brasil X Chile, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, em 9 de setembro - uma encosta cedeu e derrubou o muro de contenção, a menos de dez metros de uma das entradas principais. De acordo com a administração do local, porém, o incidente não atrapalha a programação prevista para o estádio.

 

Os alagamentos no bairro do Comércio, na Cidade Baixa, por outro lado, causaram o adiamento do show que a cantora Paula Toller faria na casa Cais Dourado. O evento foi remarcado para o dia 23.

 

Enquanto a região metropolitana sofre com a chuva, cem cidades do semi-árido baiano, como Euclides da Cunha, Senhor do Bonfim e Abaré - muitas a menos de 200 quilômetros de Salvador -, sofrem com a seca, segundo o governo do Estado. De acordo com a Coordenação de Defesa Civil do Estado (Cordec), duas mil cisternas emergenciais, com capacidade para 8 mil litros de água, já foram disponibilizadas pelo governo para os municípios. Além disso, carros-pipa estão levando água às cidades.

 

 

 

(Com Rita Cirne e Elvis Pereira, da Central de Notícias e Tiago Décimo e Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo)

 

Ampliada ás 19h25

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