Maranhão terá ajuda federal contra onda de violência

Força Nacional chega hoje ao Estado; ordem para ataques teria vindo das cadeias

Diego Emir - ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S. Paulo

22 Maio 2016 | 22h53

SÃO LUÍS - Em meio a uma situação de caos na Segurança Pública, com crise nas cadeias e ataques ao transporte público, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), solicitou ao Ministério da Justiça o envio da Força Nacional, que começa a atuar hoje no Estado.Uma onda de violência tomou conta da região metropolitana desde quinta-feira. Houve pelo menos 14 ataques a ônibus – 6 terminaram com coletivos incendiados – e mais de 50 suspeitos foram presos. 

Os ataques teriam sido praticados por facções criminosas como reação à repressão policial imposta aos detentos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, onde estão presos líderes dessas facções – eles reivindicam mais benefícios, a exemplo do que ocorreu em 2014, quando aconteceram ataques semelhantes. Ainda ontem, aproveitando o momento, pelo menos 25 adolescentes infratores fugiram de uma Unidade de Detenção Provisória na capital. 

De acordo com o delegado-geral de Polícia Civil do Maranhão, Lawrence Melo Pereira, 128 homens da Força Nacional começam a ajudar hoje no combate à escalada de violência. Desde o início dos ataques ainda houve reforço do policiamento na zona rural da região metropolitana, nas paradas e pontos finais de linhas de ônibus, em terminais de integração e nas áreas e bairros com ataques. Ontem, nenhuma ação violenta foi registrada. 

Como há dois anos, os ataques foram comandados de dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas por líderes de facções criminosas. O suposto autor das ordens dos últimos atentados, Eliakim Machado, o “Sadrak”, é um dos líderes do Bonde dos 40, considerada uma das quadrilhas mais perigosas em atuação hoje no Maranhão.

Em uma interceptação telefônica feita pela Secretaria de Segurança, Eliakim ordena: “Está dado aí um salve-geral para agarrar os ônibus, de preferência no ponto final, pois não tem ninguém dentro”. “É para tocar fogo nos ônibus. Mas é para pegar fogo ‘todinho mesmo’, forma de protesto contra a opressão que estamos sofrendo no sistema penitenciário.”

A Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária teria ampliado a rigidez no tratamento dos prisioneiros e nas revistas das visitas, após a morte do auxiliar de agente penitenciário Gilvan Cordeiro. Ele foi executado na capital maranhense por membros de facções criminosas no início do mês.

Pressão. Para tentar acalmar a população e passar um clima de tranquilidade, Dino acompanhou pessoalmente, na noite de anteontem, as operações de policiamento ostensivo. “A polícia está presente para garantir a ordem pública”, afirmou o governador maranhense, que conversou com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Desde que passaram a adotar o policiamento ostensivo, as forças de segurança do Maranhão identificaram e prenderam mais de 50 suspeitos – pelo menos 21 foram autuados pelos ataques aos ônibus.

O secretário de Segurança Jefferson Portela classificou os atentados como “atos covardes” e afirmou que “a força do crime não vai predominar no Maranhão” e “todos os autores e mentores dos crimes vão ser identificados.”

O comandante-geral da Polícia Militar do Maranhão, Coronel Frederico Pereira, afirmou que os bandidos “não vão intimidar o sistema de segurança” e a polícia não recuará. “Se é guerra o que eles querem, é guerra o que eles vão ter”, disse.

Narcotráfico. Ainda de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, as ações indicariam o sucesso de novas estratégias policiais. Com apoio dos serviços de inteligência, a polícia teria alcançou os grandes traficantes e desarticuladoquadrilhas locais e interestaduais, ocasionando, segundo cálculos do delegado-geral Lawrence Melo, um prejuízo de R$ 5 milhões ao narcotráfico. Em uma única ação, conforme Melo, a polícia maranhense apreendeu R$ 500 mil reais em entorpecentes provenientes do Mato Grosso do Sul.

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