Maratona de shows esquenta noite de SP

Kassab espera 3 milhões de pessoas

ALINE NUNES, ADRIANA CARRANCA, FRANCISCO QUINTEIRO PIRES, MARÍLIA ALMEIDA E NAIANA OSCAR, O Estadao de S.Paulo

03 de maio de 2009 | 00h00

A maratona de 24 horas de atrações da quinta edição da Virada Cultural começou ontem às 18 horas. No Palco São João, no centro, um dos principais do evento, o ex-tecladista da banda Deep Purple Jon Lord entrou dizendo que seu coração estava "quente": àquela hora, o frio começava a bater. Mas nada que atrapalhasse o evento. Enquanto Lord tocava com a Orquestra Sinfônica Municipal, as primeiras das 800 atrações gratuitas de música, teatro, dança e cinema começavam a pipocar pela cidade, especialmente no centro. O servidor público Vanderlei de Jesus, de 53 anos, saiu às 15 horas de Cotia, na Grande São Paulo, para ver Jon Lord. "É uma oportunidade única de ver uma banda da qual sou fã desde adolescente, ainda mais de graça", dizia, ao lado do filho. Após Jon Lord, foi a vez do cantor Geraldo Azevedo. No show, que empolgou o público, um guindaste erguia bailarinas. Em outro ponto da Virada, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador José Serra (PSDB) prestigiaram uma das atrações que celebravam o Ano da França no Brasil. Na Praça do Patriarca, onde o grupo Le Chant des Sirènes abriu a Virada com sirenes ecoando pelo centro, o prefeito discursou: "A expectativa é maior do que nos outros anos. Espero no mínimo 3 milhões de pessoas, que foi o público de 2008". Um dos palcos mais animados era o que homenageava o cantor Raul Seixas, na Estação da Luz. No Jardim da Luz, aliás, a companhia francesa Carabosse encantava com uma instalação de vasos com fogo - alguns aromáticos. No palco dedicado ao brega, no Arouche, quem reclamou não teve vez. Enquanto Benito de Paula cantava, o morador de um prédio vizinho ao palco gritou para a música parar. Tomou vaia. Luiz Ayrão entrou na sequência. Perto das 21h, numa gafieira improvisada na rua, cerca de dez casais se animaram a dançar samba-rock ao som de Farufyno, que só empolgou com a entrada de Antonio Carlos e Jocafi. Ainda era muito aguardado o show de Marcelo Camelo, no São João, marcado para começar à meia-noite; e o de Wando, no Arouche. Na madrugada o palco receberia ainda Reginaldo Rossi e Beto Barbosa. No Teatro Municipal, Tom Zé se apresentaria à meia-noite, e Chico César, às 3h da manhã. Às 23h, José Trajanela já estava havia duas horas com os filhos na fila em frente ao Municipal. Mas talvez não conseguissem entrar a tempo do show de Tom Zé. "As crianças só queriam mesmo conhecer o teatro." Nesta edição com verba reduzida, estabelecimentos privados ajudaram a aumentar o número de atrações. O cinema pornô Dom José, por exemplo, abriu as portas para exibir filmes de terror. Às 23h, havia 600 pessoas no cinema. CONFUSÃO NO METRÔQuem usou o metrô para chegar ao centro teve problemas. Por causa do fechamento da Estação República, para obras de ampliação do Metrô, a Linha 3- Vermelha operava só até a Estação Anhangabaú. Houve aglomeração e alguns passageiros levaram até 40 minutos para sair da estação, a mais próxima dos principais palcos. As estudantes Laura Cristina, de 16 anos, e Melissa Mello, de 14, chegaram atrasadas à Virada porque uma amiga levou mais de 40 minutos para desembarcar no Anhangabaú, o ponto de encontro. "O evento já está rolando e nós estamos aqui", disse Melissa. Para facilitar a saída, funcionários abriram a passagem para pessoas com deficiência e afastaram quem aguardavam amigos na catraca. Pela manhã, o fechamento da Estação República já havia causado tumulto. Apesar dos avisos sobre a interdição, centenas de pessoas não sabiam como pegar senha para os ônibus gratuitos que percorriam o trecho entre as estações Santa Cecília e Anhangabaú. Funcionários tentavam explicar, mas por causa do volume de passageiros, nem todos recebiam as informações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.