Marcelo Silva morreu de overdose de cocaína, diz delegado

Titular do 16ª DP disse que apenas aguarda resultado da necrópsia; ex-PM teve alucinações antes da morte

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 20h04

O delegado-adjunto Rafael Willis, da 16ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação da morte do ex-marido de Suzana Vieira, Marcelo Silva, de 38 anos, disse que o ex-PM morreu provavelmente por overdose de cocaína. "A causa foi overdose e vamos apenas aguardar o laudo da necropsia para constatar a droga no corpo da vítima. Não há outra suspeita", disse. Silva foi encontrado na garagem do apart-hotel, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, onde morava com a namorada, a estudante Fernanda Cunha, de 24 anos, há um mês.   Veja também: Marcas que seriam sangue são achadas no carro de Marcelo Silva Suzana Vieira diz estar triste e chocada com a morte de ex   Fernanda contou em seu depoimento que a droga foi vendida a Marcelo por policiais militares fardados na tarde de quarta-feira, em pleno centro do Rio. O delegado disse que enviará um pedido de investigação às delegacias distritais do centro para tentar identificar os PMs. Ela disse à polícia que o rosto dos policiais, justificando que toma tranqüilizantes, "dorme com facilidade", passou mal devido ao calor e dormiu no carro quando voltava para casa.   Ao acordar, viu que ainda estava no centro e que Marcelo estava fora do veículo conversando com os PMs. Ao voltar para o carro, Marcelo contou que comprara cocaína dos policiais e começou a cheirar a droga em cima de um CD. Contrariada, ela disse que voltou a dormir e acordou no estacionamento do Motel Shalimar, no Leblon, por volta de 15 horas.   "Fernanda contou que ao acordar ficou preocupada, porque sabia que ele usaria o entorpecente e resolveu ficar com ele. Mas como estava passando mal, voltou a dormir no motel", afirmou o delegado. Segundo ele, "não há indícios" de que Fernanda tenha consumido cocaína. Ela não foi submetida a exames toxicológicos.   Ao acordar, Fernanda encontrou o namorado na piscina da suíte do motel já tendo alucinações ao lado de vários papelotes de cocaína. "Ela disse que brigou com ele e jogou um papelote na piscina, mas ele preservou os demais e continuou se drogando. Ele discutia com pessoas imaginárias e a acusava de estar de `rolo' com seu inimigo", revelou Willis.   Preocupada com a agressividade do ex-PM, Fernanda pediu para ir para a casa. Apesar de transtornado, Marcelo foi dirigindo por 14 quilômetros, do Leblon até o apart-hotel Transamérica, na Barra da Tijuca. "Ao chegar, por volta das 4 horas, ele surtou e acelerou o carro ao entrar na garagem. Saiu do carro e disse que alguém estava escondido no veículo.   Fotos: Fábio Motta/AE   Dizia que era perseguido. Correu e gritou por horas. Dois seguranças não conseguiram contê-lo". Fernanda contou que a agonia do namorado durou até que ele disse ter imobilizado seu inimigo imaginário. O delírio foi tão violento que Marcelo feriu a boca e a lataria do carro apresentava várias manchas de sangue.   Testemunhas contaram que Marcelo se acalmou e desfaleceu. Fernanda e uma vizinha acharam que ele estava desmaiado e chamaram a mãe de Marcelo, que mora no bairro. Ao chegar, Maria Cléia Silva percebeu que o filho não respirava, foi até o G-Mar da Barra da Tijuca e chamou os bombeiros. Eles tentaram reanimar Marcelo com massagens cardíacas e com aparelhos, mas ele já estava morto. Fernanda deixou a delegacia chorando e não falou com os jornalistas.   Pai   O pai de Marcelo, o aposentado Eliseu Soares, de 51 anos, admitiu que o filho lutava contra o vício da cocaína desde 2005 e teve duas recaídas, no dia 10 de novembro e no último dia 4. "Meu filho era doente. A fama não fez bem a ele. A vida dele mudou para pior. Durante todo este tempo foi uma luta. Quem tem um filho assim sabe que a família adoece junto com a pessoa", declarou Soares.   Ele disse que o filho ficou deprimido após as críticas da apresentadora Ana Maria Braga no programa do dia 24 de novembro. "Antes, ela encontrou meu filho no avião e não disse nada. Ninguém gosta de ser chamado de lixo ", lamentou Eliseu. O aposentado criticou a atriz Suzana Vieira por não ter fornecido à família a certidão de casamento para a liberação do corpo. "Na casa dela, fomos recebidos por seguranças que nos disseram para procurar os advogados dela", acusou Eliseu.   "Marcelo estava bem com sua cooperativa de táxis, mas não segurou a onda. Ele é um cara de Nilópolis que conheceu uma mulher da mídia e teve acesso a viagens, carros importados e luxo. Poderia acontecer com qualquer um. Até comigo", disse um dos amigos da vítima, o bombeiro Carlos Wagner da Costa, de 41 anos.

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