Marcha em homenagem às vítimas de acidente tem protestos e reza

Desafiando temperaturas que beiravamos 10 graus em São Paulo, parentes de vítimas e integrantes devárias entidades realizaram na manhã deste domingo umacaminhada em homenagem aos cerca de 200 mortos no acidente como Airbus da TAM e denunciaram a atuação do governo federal. Embora a organização tivesse anunciado que o protesto nãoteria caráter partidário, faixas e gritos de ordem culparam ogoverno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo piordesastre da história da aviação brasileira. "Fora Lula! Fora Lula!" gritou um grupo de manifestantesmais de uma vez. Em uma faixa lia-se "Presidente, honra tuafaixa presidencial sobre o túmulo do meu marido". Carregando flores, além das faixas, os manifestantesrezaram o Pai Nosso e cantaram o hino nacional diante dosdestroços do edifício da TAM Express, atingido pelo avião daempresa no dia 17 de julho. "É muito triste saber que uma pessoa que se ama muitomorreu neste lugar e por irresponsabilidade. De quem eu nãosei, não me interessa", desabafou a jovem Renata Oliveira,enquanto chorava e mostrava a camiseta do pai, Fernando, mortono vôo 3054, vindo de Porto Alegre. "Eu escutei o nome do meu pai, na lista (de passageiros)pelo rádio. Foi ridículo", contou ela. A marcha em homenagem às vítimas começou na região doIbirapuera, zona sul de São Paulo, e chegou ao local doacidente, na área do aeroporto de Congonhas, por volta das11h45 deste domingo. Os destroços do prédio da TAM Express já se tornaram alvode pichadores, inclusive nos andares mais altos, mesmo com apolícia tendo limitado a presença de pessoas ali antes doinício da manifestação. Segundo a organização, entre 7.000 e 8.000 pessoasparticiparam da caminhada, mas o número não pôde ser confirmadocom o comando da Polícia Militar no local, que decidiu nãofazer estimativas. Entre as entidades presentes ao evento estavam a FundaçãoSOS Mata Atlântica, Campanha Rir para Não Chorar e AssociaçãoBrasileira de Parentes de Vítimas de Acidentes Aéreos. "HERÓIS" DOS BOMBEIROS E IML Um dos organizadores da caminhada, Marcio Neubauer, daentidade CRIA Brasil, fez questão de elogiar os bombeiros e osfuncionários do Instituto Médico Legal que trabalharam no localdo acidente. "Eu honrei os bombeiros porque eles foram heróis. Mas eugostaria de frisar que a Polícia Militar também teve seusheróis, que a Defesa Civil também teve seus heróis", disseNeubauer. "Os funcionários do IML que estão fazendo o trabalho emritmo enlouquecedor para reconhecer essas pessoas, dia e noite,também são heróis." A manifestação atraiu alguns curiosos, como o porteiroFábio Alexandre, que mora perto do aeroporto. "Eu tenho medo de morar aqui, mas fazer o quê?", afirmou.Ele disse que, em um dia de folga, foi de bicicleta à área doacidente para "matar a curiosidade". O Airbus A320 da TAM, com 187 pessoas a bordo, fez um pousofrustrado em Congonhas, atravessou uma movimentada avenida eacabou se chocando com prédios próximos, antes de explodir. Em 1996, um Fokker da TAM caiu no bairro do Jabaquara,próximo a Congonhas, e matou 99 pessoas.

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