Marcinho VP e acusados da morte de PM vão à audiência no Rio

Traficante e mais dois são apontados como mentores do crime; quarto teria dado informações sobre policial

Daniela do Canto, da Central de Notícias,

06 de outubro de 2009 | 15h30

O traficante Marcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, compareceu ao Fórum Central do Rio de Janeiro na segunda-feira, 5, para uma audiência de instrução e julgamento do processo que apura a morte do tenente-coronel da Polícia Militar José Roberto do Amaral Lourenço, diretor do presídio de segurança máxima Bangu 3, assassinado em 16 de outubro de 2008.

 

Além de Marcinho VP - chefe da facção criminosa Comando Vermelho (CV) preso na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) - eram réus na audiência Ronaldo Pinto Lima, o Ronaldinho Tabajara, Adair Marlon Duarte, o Adair da Mangueira (os dois presos na Penitenciária Federal de Campo Grande) e Esteves Gouveia Barreto, o Rosinha, preso em Bangu 2.

 

Os três primeiros são apontados como mentores da morte do tenente-coronel pelo Ministério Público do Rio. Já Barreto, conforme a denúncia do MP, teria participado do crime fornecendo aos demais envolvidos o endereço residencial e o trajeto do diretor do Bangu 3 de casa ao presídio. Ele foi preso um mês depois do assassinato e disse que o crime teria sido praticado pelo CV.

 

Interrogados pelo juiz Sidney Rosa, titular do 3.º Tribunal do Júri, os réus negaram a participação no crime. Antes de serem interrogados, eles ouviram os depoimentos de oito testemunhas, apenas uma delas de defesa. Para garantir a realização da audiência, foi montado um forte esquema de segurança no local. Familiares e amigos dos réus, que lotaram o corredor do Fórum, não puderam acompanhar os depoimentos por ordem do juiz.

 

As testemunhas ouvidas confirmaram o que já haviam dito à polícia anteriormente. Elas contaram que o tenente-coronel tinha à disposição um carro blindado, retirado posteriormente pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e que a vítima se desentendeu com Patrícia Lima de Azevedo, mulher de um preso conhecido como Beto Careca.

 

As testemunhas disseram também que denúncias anônimas teriam apontado como autores do crime integrantes da máfia das quentinhas e que o diretor de Bangu 3 realizava constantes apreensões de drogas na unidade e comunicava o fato à Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio, fato que acabava por suspender benefícios que seriam concedidos. Ainda conforme as testemunhas, após o crime houve queima de fogos em diversas comunidades dominadas pelo CV.

 

Crime

 

O tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, de 41 anos, foi executado com mais de 35 tiros no km 25 da Avenida Brasil, na altura de Deodoro, zona oeste do Rio. Ele seguia para o trabalho no momento do crime.

 

Segundo a denúncia do MP do Rio, os criminosos queriam se vingar da vítima, que vinha adotando um regime disciplinar rígido na unidade prisional que dirigia. Ainda conforme a denúncia, o tenente-coronel teria sido alvejado por Luiz Cláudio Serrat Corrêa, o Cláudio CL, Lúcio Mauro Carneiro dos Passos, Fabiano Atanásio da Silva e Ricardo Severo, também réus no processo.

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