Marcola diz que greve de fome é contra condições carcerárias

O detento Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC) confirmou nesta terça-feira, 7, à sua advogada que entrou em greve de fome às 17 horas de segunda-feira contra as condições carcerárias e em protesto contra o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).Marcola e mais 43 detentos que cumprem pena no RDD no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, entraram no segundo dia de greve e não aceitaram o café da manhã, o almoço e o jantar.Marcola foi atendido por meia hora pela advogada Ariane dos Anjos, que conversou mais meia hora com outro integrante do PCC, Luiz Henrique Fernandes, o LH, também preso no CRP. Os agentes desconfiam que Ariane tenha servido de pombo correio na comunicação entre os dois detentos.Na saída da prisão Ariane disse aos agentes e jornalistas que foi proibida de sair com a carta de Marcola, na qual ele confirma que iniciou a greve contra as condições das celas do CRP, que estariam sem ventilação e com forte cheiro de tinta.Além disso, na carta, Marcola protesta contra o RDD, regime considerado inconstitucional por parte dos tribunais, mas que continua em uso pelo sistema penitenciário como uma vingança do Estado contra ele.Marcola ainda diz na carta que a sentença do RDD é injusta e muito demorada porque em todas as oportunidades foi absolvido das sindicâncias nas quais era acusado.Agentes disseram à imprensa que a carta foi apreendida porque, inicialmente, a advogada pediu um pedaço de papel para escrever uma procuração que Marcola estaria passando a ela, mas como depois constataram que se tratava de uma carta, esta ficou retida com a diretoria da prisão.GreveDos 57 detentos que ocupavam as celas do CRP, 13 detentos não aderiram ao movimento, entre eles Robson Lima Ferreira, o Marcolinha, e Orlando Mota Junior, o Macarrão, que fazem parte da cúpula do PCC. Os agentes suspeitam que os dois estejam se alimentando para servir de porta-vozes do PCC durante a greve. Outros líderes da cúpula da organização criminosa presos no CRP, Júlio César Guedes, o Julinho Carambola, e Roberto Soriano, o Betinho Soriano, não se alimentaram.O seqüestrador Maurício Norambuena se alimentou normalmente. A suspeita é que o chileno, que atua como consultor do PCC, seja o idealizador do movimento e da atuação de Marcola.Nesta terça, outros quatro detentos que cumpriam pena no CRP e participaram do primeiro dia de greve foram liberados por vencimento de pena e transferidos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.Para evitar que a alimentação recusada pelos detentos do CRP se estrague, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) estuda a possibilidade de doá-la a entidades beneficentes de Bernardes. Nesta terça, a direção da P-1 de Bernardes, onde a alimentação é preparada, já reduziu o volume de comida a ser oferecida aos detentos do CRP para evitar desperdício.

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