Marcola nega que tenha ordenado ataques do PCC

O preso Marcos Willians Herbas Camanho, o Marcola, 36 anos, confirmou nesta quinta a integrantes da CPI dos Tráfico de Armas sua condição de líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele negou, porém, que tenha ordenado a onda de ataques às força de segurança do Estado, entre os dias 13 e 19 de maio. E não confirmou ter havido acordo para o fim dos atentados e rebeliões nos presídios.Os deputados se reuniram com o detento durante cinco horas no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes (570 km de São Paulo). Segundo o relator da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Marcola respondeu a todas as perguntas, dando inclusive detalhes "interessantes" sobre o tráfico internacional de armas. "Foi um depoimento proveitoso", esquivou-se o parlamentar, alegando que não poderia dar detalhes por se tratar de um depoimento reservado.O número 1 do PCC chegou à sala de videoconferência do presídio,no prédio da administração, às 13h47. A sala, pequena e estreita, recebeu mesas e cadeiras para o interrogatório. Marcola ficou sentado à frente dos oito deputados. Vestia as tradicionais calças caqui - o uniforme antigo foi liberado pela Secretaria da Administração Penitenciária pouco antes do início dos ataques -, camiseta branca e tênis prateado.Foi a primeira vez que o líder deixou a ala de isolamento do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), onde está preso desde a transferência que teria desencadeado a série de ataques, dia 14 de maio. Durante todo o depoimento, Marcola permaneceu algemado e escoltado por dois agentes de segurança penitenciária. Estava com a barba feita e aparentava tranqüilidade. Quando notou a presença de fotógrafos e cinegrafistas, o líder da facção baixou a cabeça e, em determinado momento, escondeu o rosto com as mãos.O presidente da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE) disse que Marcola respondeu a todas as perguntas "do jeito dele, mas que corroboraram as suspeitas da comissão". "Dá para perceber que é um preso acima da média", comentou. O relatório final será entregue no próximo dia 3 e entra em votação dois dias depois.Os deputados chegaram ao aeroporto de Presidente Prudente, em um turbo hélice Learjet do governo estadual com atrasado de cerca de duas horas, causado pelo nevoeiro no aeroporto de Congonhas. Escoltados por viaturas das polícias Militar Rodoviária e Federal, os integrantes da CPI seguiram em comboio até o presídio. O governo mobilizou 110 agentes e policiais e 23 viaturas para dar suporte à operação. O aparato foi justificado pelo fato de dois deputados terem sido ameaçados de morte por supostos membros da facção.

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