Marcola se casa em presídio no interior de São Paulo

A 22 dias de completar 39 anos, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, casou-se na manhã desta quarta-feira. Viúvo, sua nova mulher é a estudante de Direito Cynthia Giglioli da Silva, de 30 anos. Marcola é apresentado como o número um na hierarquia do PCC (Primeiro Comando da Capital), a facção criminosa que tem agido dentro e fora dos presídios, embora não seja o primeiro a se casar no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo.Há dois anos, o número dois do mesmo "sindicato do crime", Júlio César Guedes Morais, o Julinho Carambola, casou-se no mesmo presídio onde funciona o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que não permite regalias nem visita íntima.Vidro à prova de balaMesmo durante o casamento às 10h30 desta quarta-feira chuvosa no interior paulista, Marcola e Cynthia não se tocaram. Apenas trocaram olhares pelo vidro à prova de bala instalado no parlatório, local onde os presos recebem as visitas e se comunicam por interfone, aparelho pelo qual os noivos disseram o sim. É o que contam funcionários do presídio, onde Cynthia chegou por volta das dez horas. Ela estava num carro particular, acompanhada de duas pessoas que a deixaram e retornaram uma hora e meia depois para buscá-la. A cerimônia foi simples e rápida, além de ter sido antecipada em dois dias, considerando o prazo de 15 dias do edital de proclamas. A imprensa tinha noticiado o casamento para sexta-feira desta semana.A certidão de casamento foi lavrada pelo juiz de paz Giovani Barreto, que esteve no presídio acompanhado da escrevente do Cartório Civil de Presidente Bernardes, Simone Munhoz. Eles entraram e saíram em silêncio. DebocheUm diretor sindical dos agentes penitenciários - que preferiu não se identificar por medo de ser morto - considerou o casamento em tais circunstâncias como um deboche à sociedade. "Se isso é normal, o que é anormal", disse o sindicalista. "Como ele conseguiu arrumar namorada em tão pouco tempo, se há poucos meses disse à CPI do tráfico de armas que era amásio de uma advogada", questiona.Marcola ficou viúvo em 2003, quando Ana Maria Olivatto Camacho foi executada na disputa pelo comando da facção. A nova mulher, Cynthia, esteve detida em 2005, acusada de colaborar com o PCC, do qual recebia mesada de R$ 15 mil. Marcola está condenado a 44 anos de prisão por roubos a bancos. A Secretaria de Administração Penitenciária autorizou o casamento de Marcola e Cynthia no presídio. A autorização foi dada no dia 27 de dezembro de 2006, dias depois da publicação do edital de proclamas. Este texto foi alterado às 18h58 para acréscimo de informação

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