Marginais amanheceram cheias de lixo

Sujeira entope bocas de lobo perto do Minhocão, dizem comerciantes

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

As Marginais do Pinheiros e do Tietê amanheceram cheias de lixo, galhos e troncos de árvores, pneus de caminhões, sacos plásticos, caixas de papelão e até cones de sinalização quebrados, daqueles utilizados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Nas áreas com obras de ampliação das pistas da Tietê havia acúmulo de barro no desnível dos canteiros.

Poças de água e lama ainda persistiam por todos os cantos, lembrando os alagamentos provocados pelo temporal de terça-feira. As equipes de limpeza da Prefeitura recolhiam o lixo e aparavam a grama, enquanto os funcionários da Operação Limpa Bueiro desentupiam as bocas de lobo.

Debaixo do Elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, o Minhocão, outra área que também sofreu com alagamentos, os comerciantes conversavam sobre o temporal. "A água chegou a 30 centímetros de altura. Por sorte, ela não atingiu a loja e não tivemos prejuízos", conta a vendedora da loja de móveis antigos, Thais Amorim, de 20 anos. "A boca de lobo (quase na esquina da Avenida São João com a Alameda Glete) entupiu. É que faz uma semana que a Prefeitura não recolhe o lixo aqui", conta.

A boca de lobo fica ao lado de uma banca de jornais. Ao ver a forte chuva e a água subindo na calçada, o funcionário Aparecido Ferreira, de 46 anos, não teve dúvida: fechou a banca às 11 horas. "Não tenho para onde correr. Aqui nem dá para atravessar, fica intransitável", conta. "Essa boca de lobo entope com qualquer chuvinha, nem precisa ser muito forte. E sempre que chove, acabo tendo algum prejuízo."

Segundo ele, o problema do lixo fica pior nos fins de semana, quando há feira no Largo de Santa Cecília. "Não sei o motivo, mas todos os sacos de lixo são colocados aqui na São João. Aí os moradores de rua e os catadores de lixo buscam papel e comida e deixam tudo aberto. Quando chove, entopem as bocas de lobo", explica.

Ali perto, a água chegou a entrar em uma oficina mecânica. Por sorte, as ferramentas ficam todas em um local elevado. "Os carroceiros recolhem entulho e material de construção dos apartamentos de Higienópolis e descarregam em qualquer lugar nas ruas daqui e embaixo do Minhocão. É mais barato pagar um carroceiro do que contratar uma empresa de caçambas", diz o mecânico Danilo Nascimento, de 28 anos. "Antes, o caminhão de lixo passava todo dia. Agora não. Ele passa uma vez por semana. Quando chove, a água arrasta tudo isso", diz, apontando para colchões, sofás, pedaços de madeira e até um ventilador quebrado.

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