Marginal do Pinheiros tem mais cheias

Quantidade de ocorrências, 77 desde o início da estação, coloca via como líder isolada entre as principais de SP

Daniel Gonzales, Felipe Grandin e Vitor Sorano, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

11 Fevereiro 2009 | 00h00

Embora seja menor, a Marginal do Pinheiros já registra sete vezes o número de alagamentos da Marginal do Tietê. Nos 51 primeiros dias do verão - completados na segunda-feira -, houve 77 casos, antes os 11 registrados na via principal das zonas norte e leste pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) de São Paulo (isso sem contar a continuação da Pinheiros, a Nações Unidas). A Prefeitura alega que, em alguns trechos, as galerias pluviais são muito antigas, com mais de 50 anos, e não comportam a atual ocupação do solo. A situação só seria resolvida com obras, que poderiam afetar o fluxo na principal avenida das zonas sul e oeste. Mais da metade dos casos ocorre perto das pontes. É nessas regiões que a água da chuva torna os trechos intransitáveis. Ao todo, a Pinheiros teve oito ocorrências de fluxo paralisado no período. Cinco delas foram próximas das grandes estruturas. Três foram na área da Ponte Roberto Zuccolo, anteriormente chamada de Cidade Jardim, que no total teve 18 alagamentos neste verão. A região sofreu, há dois anos, um rebaixamento de via que fez as pistas perderem 80 centímetros de altura em relação à ponte, para evitar o choque de caminhões. Mas, segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, isso não prejudicou o sistema de drenagem da área. A pasta informou que há um estudo em andamento no órgão para que seja executada a ampliação e o alargamento das galerias de águas pluviais, sobretudo nas imediações das Pontes Eusébio Mattoso e Cidade Universitária. Nesses locais, a idade das tubulações atuais varia entre 30 anos e 50 anos, impossibilitando a vazão adequada, por causa do adensamento urbano. Já na Marginal do Tietê, as pontes marcam os locais onde mais ocorrem os alagamentos. Dos 11 casos registrados desde dezembro, oito foram nas proximidades dessas estruturas. Quatro ocorrem na das Bandeiras, em Santana (zona norte). Mas a água tornou um trecho da pista intransitável apenas uma vez. Os especialistas da Prefeitura, porém, dizem que um ranking de alagamentos tem de ser relativizado. Segundo o engenheiro Hassan Barakat, do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), cheias em ruas menores podem causar mais problemas para o trânsito do que nas Marginais. "Se alagar a Rua Domitila (no Brás), pode trancar o trânsito de todo um bairro. Já as Marginais dificilmente são interditadas por completo, pois têm cinco, seis pistas." Da mesma forma, o CGE alega que pode registrar um alagamento na Marginal mais de uma vez - quando esse afeta as duas pistas, expressa e local. Para Barakat, os pontos de alagamento são causados principalmente por três fatores: chuvas fortes e localizadas, ocupação desordenada e despejo de lixo irregular. "Na Marginal do Tietê provavelmente não choveu tanto como na Pinheiros. Se analisarmos de um ano para o outro, haverá variações na incidência desses pontos de alagamento. A chuva nunca cai no mesmo lugar com a mesma intensidade", afirma. "Pode ser também que as condições de limpeza e drenagem de uma via estejam melhores do que em outra." VIAS MAIS ALAGADAS 77 Marginal do Pinheiros 14 Av. João Dias 13 Av. Prof. Abraão de Moraes 12 Viaduto Rep. da Armênia 11 Marginal do Tietê 9 Av. Maria Coelho Aguiar 9 Av. Marquês de S. Vicente 9 Av. Presidente Tancredo Neves 9 Av. 23 de Maio 8 Av. dos Bandeirantes

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