Maria do Rosário diz que Archer não era herói, mas traficante

A ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência  criticou o interesse pela informação do destino das cinzas de Archer

Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2015 | 22h12

SÃO PAULO - A informação de que o corpo do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, executado no sábado, 17, na Indonésia, após ter sido condenado por tráfico de drogas, foi cremado e suas cinzas serão trazidas para a cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, por sua tia, a advogada Maria de Lourdes Archer, provocou a reação da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) em sua conta na rede de microblogs Twitter.

Rosário, que foi ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, questiona o interesse pelo local onde as cinzas de Archer serão levadas no Brasil. E argumenta: "O sujeito não era herói, era traficante." No post publicado no Twitter, em que questiona o interesse pelo local onde as cinzas do brasileiro executado na Indonésia serão levadas, a ex-ministra dos Direitos Humanos pondera que foi contra a sua execução. "Sou contra a pena de morte", reiterou. Mas não deixou de criticar o interesse provocado pela informação do destino que terá as cinzas de Archer, repercutido principalmente pela imprensa brasileira.

Preso na Indonésia desde 2003, Marco Archer era carioca, tinha 53 anos e trabalhava como instrutor de voo livre. Ele foi detido quando tentava entrar naquele país com 13 quilos de cocaína escondidos dentro de tubos de uma asa delta. A droga foi descoberta ao passar pelo aparelho de raio-X, no Aeroporto Internacional de Jacarta. O brasileiro conseguiu fugir do aeroporto, mas acabou preso duas semanas depois.

Em nota divulgada em seu site neste domingo, a Anistia Internacional classificou de retrocesso para os direitos humanos a execução de seis réus acusados de tráfico de drogas na Indonésia, cinco deles estrangeiros, incluindo o brasileiro Marco Archer.

"Este é um retrocesso grave e um dia muito triste. A nova administração tomou posse prometendo fazer dos direitos humanos uma prioridade, mas a execução de seis pessoas vai na contramão desse compromisso", destacou Rupert Abbott, diretor de pesquisa sobre a região do Sudeste Asiático e Pacifico da Anistia Internacional.

As execuções, realizadas no sábado, 17, pelo pelotão de fuzilamento, foram as primeiras desde que o presidente Joko Widodo assumiu o cargo, em novembro do ano passado. Apesar da promessa de priorizar a área de direitos humanos, Widodo é considerado linha dura com os crimes do narcotráfico e rejeitou os pedidos de clemência para mudar a pena dos condenados, dentre eles o da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Após tomar conhecimento - consternada e indignada - da execução do brasileiro, Dilma lamentou o episódio e destacou que a pena de morte, condenada crescentemente pela população mundial, afeta "gravemente" as relações entre Brasil e Indonésia. A presidente ainda dirigiu uma mensagem de conforto à família de Moreira e convocou o embaixador do Brasil em Jacarta para consultas.

Além do brasileiro, o primeiro a ser executado por crime no exterior, cinco presos foram condenados à morte ontem na Indonésia. Outro brasileiro preso e condenado à morte em Jacarta, que teve o pedido de clemência feito por Dilma também rejeitado, é o surfista Rodrigo Gularte, de 42 anos. Ele foi detido em 2004, também no aeroporto de Jacarta, com 12 pacotes de cocaína.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.