Mariana, a queridinha do showbiz

Ela cresceu entre artistas, tem fãs famosos, como Caetano Veloso, lançou seu disco na França e foi convidada a gravar pelo selo americano Verve

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

Quem circula pelos forrós de São Paulo já deve ter encontrado a paulistana Mariana Aydar, de 27 anos, cantora que começou há oito em casas do gênero, como Canto da Ema, em Pinheiros. Mas ela enveredou pelo mundo do samba e hoje é considerada uma revelação. Em 2006, foi indicada no Video Music Brasil, da MTV. Um ano depois, recebeu um convite "surpreendente". A Verve - selo americano com grandes nomes do jazz no catálogo - pretende lançar seu CD, Kavita1, nos EUA. "Estamos fechando os detalhes", diz ela, que será a segunda cantora brasileira da Verve e faz show terça-feira no Bourbon Street.Se você não ouviu falar dela, ok: ela fez o caminho inverso da maioria. Antes de começar a ganhar o grande público, ficou famosa entre as feras da MPB e conquistou admiradores como Seu Jorge e Caetano Veloso, que em janeiro foi ao primeiro grande show de Mariana, para mil pessoas, no Pelourinho, em Salvador, especialmente para conhecê-la. "Quando me avisaram que ele estava lá, fiquei muito nervosa. Mas ele gostou e ainda me disse que era bem-vinda em sua terra", conta.Nova queridinha do showbiz, Mariana já esteve no palco com Toni Garrido, Samuel Rosa, Daniela Mercury e João Donato e é freqüentemente convidada a participar de shows. Logo após o carnaval, mais uma vez no Canto da Ema, deu canja no aniversário de 67 anos de Dominguinhos. "Sei que Mariana está na platéia com Chico César. E gostaria muito que ela subisse para cantar", disse o sanfoneiro. "Ela tem uma voz linda. Gosto mais das minhas músicas quando ela canta." Com o microfone, Mariana retribuiu: "É uma honra cantar música sua", disse, sob assobios e gritos de "deliciosa" da platéia. A sambista Leci Brandão é outra que virou fã. "Fiquei apaixonada pela personalidade dessa menina. Depois que gravamos um sucesso meu de 1978, Zé do Caroço, a música despontou em rádios do Rio que nunca tocaram minhas canções. E as pessoas começaram a me ligar para saber quem era Mariana."Antes de gravarem juntas, Mariana e Leci não se conheciam. "Desde pequena escuto Leci. E, um dia, a vi em Congonhas", conta Mariana, que se apresentou e perguntou se havia a possibilidade de ela gravar uma música da sambista. "Hoje sou a madrinha de Mariana no samba", orgulha-se Leci.Mariana morou a maior parte da vida em Moema, conhecido pelos prédios de alto padrão, as choperias chiques e o comércio de roupas e calçados que atrai peruas de toda a cidade. Mas teve vida diferente da maioria das adolescentes da região. Filha de Mario Manga - ex-guitarrista do Premeditando o Breque - e de Bia Aydar, ex-produtora de Lulu Santos e Gonzagão, sempre esteve entre expoentes da música brasileira. "Minha festa de 16 anos foi inesquecível. O DJ era o Bid (co-fundador e ex-guitarrista do Funk como Le Gusta)", conta. "Chico César também foi e cantou Mama África, sucesso da época."Na infância e adolescência, viajava mais ao Nordeste - onde acontecia boa parte das turnês produzidas pela mãe - que ao litoral norte paulista. Hoje, segue ligada ao Nordeste. Sempre vai a Trancoso, litoral sul da Bahia, onde a família tem casa. "É um lugar bom para estar com os amigos. Em janeiro, encontrei o Jair Rodrigues e o Chico César. Passamos uma tarde deliciosa conversando à beira do Rio da Barra. Eles têm ótimas histórias. E sempre aproveito para saber mais sobre música. E pra perguntar, por exemplo, como era Elis Regina." Foi o contato constante com as raízes nordestinas que despertou em Mariana o gosto pelo forró. "Nos fins de semana em São Paulo, ainda adolescente, costumava fugir para dançar. Dizia que ia dormir na casa de uma amiga e ia, mas de lá saíamos escondidas para o forró." Mariana passava boa parte da noite no camarim, conversando com os músicos. "E dava uma canja sempre que deixavam." Até que um dia Miltinho Edilberto, violeiro que há anos divulga o forró pelas casas paulistanas, a chamou para ser backing vocal. Paralelamente, surgiu um convite para cantar e tocar triângulo em outro grupo, o Caruá, em 2002. SUCESSO EM PARISNessa época, ela adquiriu o hábito de carregar um CD na bolsa para mostrar seu trabalho, costume que lhe abriu portas em Paris. "Estava passando uma temporada na França e resolvi procurar Seu Jorge", diz. "Eu não o conhecia, mas queria convidá-lo para um projeto de programa de TV. Ele não topou. Aproveitei a oportunidade para deixar um CD. Ele adorou e me convidou para uma apresentação para 8 mil pessoas, em Paris. Foi com Seu Jorge que descobri minha ligação com o samba.""Mariana se destaca pela performance e carisma no palco. Seu trabalho não tem nada de clichê, é moderno", diz Pascoal Bod, diretor artístico da Universal da França. "Ela tem público garantido aqui." Em 2007, o CD de Mariana foi lançado por lá. Em outubro, ela se apresentou no Satellite Café, em Paris. "Foi uma vitória", diz. SHOW DA NANANÁAos 6 anos, Mariana Aydar já era o xodó de Lulu Santos. Todo final de show, ela cantava com Lulu e sua banda o sucesso Casa. "Ela estava sempre com as roupas da moda. E, quando aquela menininha entrava no palco, cheia de frufruzinhos, e cantava a letra inteira, o público adorava", conta a mãe de Mariana. "O que impressionava mais era ela ter boa voz."Aparecer no palco era o momento mais esperado por Mariana. "Teve uma vez que entrei, olhei para a bateria e disse: um, dois, três. Só então a música começou. Eu adorava acompanhar minha mãe nas viagens, até porque era o jeito de eu estar perto dela." Mariana cresceu nas coxias, onde passou momentos importantes, como a troca da dentição de leite. "Num dos shows, estava com os dois dentes da frente bem moles. Mostrei para o Léo Gandelman (saxofonista), que resolveu arrancá-los. Ele tirou o primeiro dente e voltou para o palco. No intervalo, voltou para arrancar o outro. No final do show, entrei banguela e feliz para o bis."As demonstrações de talento da menina não paravam por aí. "Bastava ter gente em casa para a Mariana aparecer, interromper a conversa e avisar que estava na hora do show da Nananá. E então começava a cantar", conta Bia. "Ninguém agüentava mais, só os avós." Então Mariana começou a dar shows para as bonecas. "Minhas bonecas eram ótimas, ouviam e não reclamavam de nada", brinca a cantora. Bia conta mais um pouco de história: "O Lulu Santos, no passado, falou que um dia minha filha seria cantora. Não acreditei. Achei que era bobagem. Anos mais tarde, quando voltamos a nos encontrar, ele virou para mim e disse: ?Não falei que ela era seria cantora?? Ele tinha razão. Olha só o que virou o show de Nananá."

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