Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

'Mariana serviu de alerta, esperávamos que não tivesse outra tragédia', diz Bolsonaro

Em entrevista a rádio e TV, presidente diz que 'lamenta profundamente' rompimento de barragem e anuncia reforços do Exército

Daniel Weterman e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 19h33

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro declarou, em entrevista para rádio Regional de Brumadinho, em Minas Gerais, que a tragédia de Mariana (MG), em novembro de 2015, deveria ter servido de alerta para evitar o rompimento de outra barragem nesta sexta-feira, 25, em Brumadinho. Ele reforçou que "lamenta profundamente" o ocorrido e que esse tipo de episódio poderia ter sido evitado.

"Acionamos o gabinete chamado de crise em Brasília, ficaremos antenados aí 24 horas por dia para prestar informações à população, para colher informações também, de modo que possamos minimizar mais essa tragédia depois de Mariana, que a gente esperava que não tivesse uma outra, até por uma questão de servir de alerta aquela", declarou Bolsonaro na entrevista. 

O presidente prometeu que o governo federal vai empenhar esforços para diminuir o impacto ambiental e as consequências do rompimento à população. "Vamos tentar diminuir o tamanho do mal que essa barragem aí, ao se romper, proporciona junto ao Meio Ambiente e junto à população em geral."

Ao ser perguntado sobre a fiscalização de estruturas que armazenam resíduos de mineração como a barragem em Brumadinho, Bolsonaro justificou que o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, "sequer teve ainda como montar uma boa administração que vai particularizar a questões destas áreas". "Não quero começar a culpar os outros pelo que está acontecendo, mas algo está sendo feito errado ao longo dos tempos."

Ele pontuou, no entanto, que a prevenção a tragédias deveria partir primeiro da empresa que executa obra em barragens. "Se bem que a questão da Vale do Rio Doce (nome da Vale até 2007) não tem nada a ver com o governo federal, apenas cabe a nós a fiscalização por parte do Ibama, que é o órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, e buscar meios para se antecipar a problemas, mas esses meios partem primeiramente da empresa que executa a obra." 

Reforços. Em entrevista ao programa Cidade Alerta, da TV Record, Bolsonaro afirmou que o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, determinou o envio de militares da 4.ª Brigada de Infantaria a Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, para "salvar vidas" de vítimas do rompimento da barragem ocorrido nesta sexta-feira, 25.

Bolsonaro afirmou também que o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, entrou em contato e se mostrou bastante abalado com a tragédia. Segundo o presidente, Schvartsman relatou que haviam sido tomadas todas as medidas para que a tragédia não acontecesse.

Bolsonaro confirmou que estará amanhã em Minas para acompanhar os desdobramentos do rompimento da barragem. Ele estará acompanhado de ministros e do presidente da Vale. "Aceitei que o presidente da Vale se incorporasse à comitiva que irá amanhã a Minas Gerais", disse. O presidente declarou ainda esperar que o pior não tenha acontecido com os 200 desaparecidos após o rompimento.

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