Marina ajusta tom do discurso para entrar na briga

A senadora Marina Silva está ajustando aos poucos o tom do discurso de campanha. Parece perceber que, para evitar o caráter plebiscitário da corrida eleitoral deste ano e atiçar o debate de ideias e projetos para o Brasil, é preciso provocar mais insistentemente os oponentes e trazê-los para a arena.

Cenário: Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

Ontem, durante a entrevista coletiva que deu em São José dos Campos, após uma visita à fábrica da Embraer, ela criticou os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) por não terem definido ainda suas diretrizes de governo. "Eles não estavam se preparando para o debate e sim para o embate", acusou. "O programa de um (Dilma) já está quase na terceira versão e o outro (Serra) nem chegou a apresentar programa, foi só um conjunto de discursos e falas."

Referia-se aos documentos encaminhados pelos dois à Justiça Eleitoral, por ocasião do registro oficial das candidaturas. Sem programas, entende Marina, fica mais difícil o debate.

"A minha candidatura foi a única que apresentou uma plataforma, com diretrizes e compromissos, sobre os quais será desenvolvido agora o programa de governo", prosseguiu. "Isso está obrigando os outros a ter programa, para que possam debater. Isso já é um dos efeitos de termos quebrado o plebiscito."

Marina também já notou que precisa bater mais forte nos temas que lhe são caros e podem diferenciá-la dos outros candidatos. Sustentabilidade e educação devem ser mesmo os temas do carro abre-alas da campanha.

Ainda na entrevista de ontem, ela reagiu de maneira enérgica ao ser indagada sobre as afirmações da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) de que suas propostas sobre agroecologia e desmatamento zero estão fora da realidade. "O que foge da realidade é a visão atrasada de opor meio ambiente e desenvolvimento, é querer expor a agricultura brasileira a um vexame que não é necessário, o vexame de continuar expandindo a fronteira agrícola e mudar o código florestal, em vez de aumentar a produção pelo aumento da produtividade", bateu. "Temos tecnologia disponível para dobrar a produção agrícola do País sem avançar mais nada sobre o cerrado, a Amazônia, ou sobre a caatinga."

No terreno da educação, ela começa a ir além das afirmações genéricas de que seus antecessores universalizaram o ensino e agora está na hora de melhorar a qualidade. "Estamos investindo no Brasil R$ 1.114 por ano, por aluno. É muito pouco. Para uma educação de qualidade teríamos de investir R$ 2.180."

Não prometeu fazer essa revolução em quatro anos, mas deu a entender que nesse período é possível elevar de 5% para 7% a fatia do PIB que o Brasil destina à educação.

Marina passou a manhã e parte da tarde em São José dos Campos. Na Embraer visitou o Centro de Realidade Virtual - um laboratório que funciona com a tecnologia 3D. Também foi ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, ligado ao Ministério da Aeronáutica, onde ouviu explicações sobre os projetos brasileiros na área de lançamento de satélites.

Ela chegou àquela cidade, que fica a pouco mais de uma hora de São Paulo, a bordo de um helicóptero, cedido para a campanha por seu candidato a vice, o empresário Guilherme Leal. Foi embora convencida de que visitara uma área de excelência tecnológica, um exemplo a ser replicado em outras partes do País.

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