Marina anuncia Guilherme Leal como vice e foge de embate com PT e PSDB

Discurso. ‘Temos a felicidade de tê-lo aqui, inteiramente agregado ao projeto, inteiramente alinhado aos propósitos. É o vice dos nossos sonhos’, disse Marina  

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2010 | 00h00

 

A pré-candidata do PV à Presidência da República, senadora Marina Silva (AC), confirmou ontem como seu vice o empresário Guilherme Leal, controlador da empresa Natura e dono de uma fortuna estimada em US$ 2,1 bilhões.

O anúncio foi feito ontem durante evento organizado pelo PV numa casa de shows em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para oficializar a pré-candidatura da senadora à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Leal foi apresentado como um ilustre filiado e militante do PV.

Segundo Marina, o empresário está totalmente integrado ao projeto de Brasil que ela e o partido querem para este século. "Hoje, nós temos a felicidade de tê-lo aqui, inteiramente agregado ao projeto, inteiramente alinhado com os propósitos, inteiramente cúmplice desse Brasil que a gente quer, esse Brasil do século 21", disse a senadora. "É o vice dos nossos sonhos."

Marina, que vai para a campanha sem ter estabelecido acordo de coalizão com nenhum outro partido, ressaltou que a entrada de Leal na chapa representa o tipo de aliança que ela quer estabelecer com o que chamou de "núcleos vivos da sociedade". "Com os homens, as mulheres, os jovens, os trabalhadores, com os empresários progressistas deste País. Com os políticos que têm visão do futuro e compromisso com o presente", disse ela.

Engatinhando. Leal foi aplaudido de pé pelos militantes e dirigentes do PV. Falou durante pouco mais de 15 minutos e mostrou falta de traquejo. Gaguejou, interrompeu frases pela metade e, sem graça, pediu desculpas ao encerrar o discurso. Foi novamente aplaudido. O empresário destacou que acompanha a trajetória de Marina desde a década de 90 e que se comprometeu com o projeto da senadora em disputar a Presidência desde que se filiou ao PV, em setembro.

"Escolhi Marina presidente antes de ela me escolher para vice. Ela é a líder que tem a visão de futuro, de estadista, que pode nos levar a um Brasil diferente, mais próspero, que incorpora o ambiente como uma possibilidade, e não como uma coisa que impede nosso desenvolvimento", afirmou. "Esse não é um projeto de poder. É um projeto de serviço, que se coloca à disposição da sociedade brasileira."

O empresário revelou que demorou para aceitar o convite para integrar a chapa do PV por conta de questões pessoais e anunciou que enviará esta semana carta para a Natura solicitando sua licença do conselho da empresa.

Periferia. Em discurso que durou 55 minutos para uma plateia já esvaziada, a senadora aproveitou para hastear outras bandeiras, como melhorias em transporte público e saneamento - seguindo a estratégia proposta pelo partido de buscar os eleitores das periferias das grandes cidades brasileiras.

Marina ainda pregou tolerância zero com a corrupção, mas ressaltou que o partido não está imune aos erros. O que poderia soar como crítica aos adversários foi logo debelado por uma série de elogios. Disse que a liderança e a capacidade políticas de Lula foram fundamentais para a criação do Bolsa-Família e defendeu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao mencionar a importância do Plano Real para o desenvolvimento do País.

Ela ainda afirmou não querer embate com José Serra ou Dilma Rousseff, pré-candidatos do PSDB e do PT, respectivamente. Marina também lamentou o que chamou de "rasteira" em Ciro Gomes, que teve sua candidatura inviabilizada pela Executiva Nacional do PSB por pressão do Palácio do Planalto.

A solenidade contou com a participação do compositor e ex-ministro da cultura Gilberto Gil, que tocou a música Andar com fé para homenagear a senadora. Ainda integraram a mesa os pré-candidatos do PV aos governos do Rio, Fernando Gabeira, de São Paulo, Fábio Feldman, e de Pernambuco, Sérgio Xavier.

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