Marina ataca 'retrocesso' do Código Florestal

Para candidata do PV, proposta aprovada é um 'desserviço ao País'

Moacir Assunção, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, fez duras críticas, ontem, ao projeto de lei aprovado na Comissão Especial da Câmara que prevê mudanças no Código Florestal Brasileiro. Para Marina, que foi ministra do Meio Ambiente, a proposta é "um grande retrocesso na legislação ambiental e um desserviço ao País."

Ela disse que, se for eleita, vetará o projeto, de autoria do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). Marina defendeu a tese de que a sociedade organize um movimento semelhante ao que levou à aprovação da Lei da Ficha Limpa para barrar a reforma do código. "São 515 deputados e 81 senadores. Todos temos de falar com eles, um por um, para que essa proposta seja derrotada."

Marina, que visitou a 42.ªFeira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal) no Parque Anhembi, em São Paulo, disse que o projeto de Aldo revoga o artigo 1.º do código, ao transferir a posse das florestas a indivíduos e não à sociedade. "O deputado se aliou ao que há de mais atrasado na política brasileira. A sociedade vai revogar essa medida pela mobilização social. Não podemos continuar sujando a ficha das nossas florestas com esse tipo de retrocesso", criticou.

Insegurança. A candidata também questionou a disputa entre seus concorrentes José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff pela paternidade do programa Bolsa-Família. Marina classificou de "insegurança" a luta pelos programas sociais. "Quando se tem um compromisso visceral com o combate à pobreza, como tem o presidente Lula e como eu tenho, você não precisa ficar lutando pela maternidade ou paternidade. O compromisso com o combate à pobreza é algo que se tem no DNA. É por isso que eu não faço essa concorrência." Ela disse que, caso consiga a eleição, manterá e ampliará o Bolsa-Família.

Indagada sobre as alterações de última hora feitas por Dilma no programa de governo enviado ao TSE, a candidata fez uma crítica velada à rival do PT. "Eu prefiro falar do que eu, conscientemente, assinei embaixo e sabia que estava enviando como plataforma", disse. Dilma assinou sem ler o primeiro texto de seu programa entregue ao TRE.

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