Marina busca agenda 'Avatar'

Pré-candidata pelo PV tenta aproximação com o cineasta James Cameron por 'ativismo ambiental'

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

Marina Silva, senadora e pré-candidata à Presidência pelo PV, está buscando uma aproximação com o cineasta James Cameron, vencedor de três Oscar pelo blockbuster Avatar. Marina acredita que o filme, detentor da maior bilheteria da história do cinema, é mais um gatilho importante para o ativismo ambiental ? plataforma essencial de sua campanha.

Se tudo ocorrer como planeja a equipe da pré-candidata, um encontro com Cameron está próximo de acontecer. Nos dias 26 e 27 de março, ambos devem participar, ao lado do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e do ecólogo Thomas Lovejoy, do Fórum Internacional de Sustentabilidade, que será realizado em Manaus (AM).

Assessores da senadora estão esperançosos, mas cautelosos sobre a confirmação do encontro com o cineasta. Como o fórum começa em uma semana, é preciso acelerar contatos com interlocutores e assessores de Cameron para estabelecer uma agenda conjunta entre os dois no Brasil.

Para isso, Marina aposta nos argumentos que estão em texto publicado em seu blog (minhamarina.org.br) desde o dia 2 de março, logo após ter assistido ao filme. "Avatar e a síndrome do invasor", título do post da senadora, compara sua infância nos seringais do Acre à história dos Na"vi, o povo da floresta criado por Cameron.

"Teve um momento, vendo Avatar, que me peguei levando a mão à frente para tocar a gota d"água sobre uma folha, tão linda e fresca. Do jeito que eu fazia quando andava pela floresta onde me criei, no Acre", destaca Marina.

Em seguida, a senadora passa a descrever pontos de conexão entre suas experiências de vida e Avatar. "É incrível revisitar, misturada à grandiosidade tecnológica e plástica de Avatar, a nossa própria vida." Até chegar ao que considera a essência do filme. "Avatar nos leva a tomar partido", grifa Marina.

Cameron já havia descrito a ambiciosa jornada de ficção científica como elemento desencadeador do ativismo ambiental. O cineasta disse à imprensa internacional ter recebido feedbacks de ambientalistas sobre a temática do filme, especialmente sobre a ligação entre sustentabilidade e a vitória do bem sobre o mal.

Marina concorda e vai além. "Não só ao estilo bem contra o mal, mas em favor da beleza, da inventividade, da sobrevivência de lógicas de vida que saiam da corrente hegemônica", anota.

Uma das cenas consideradas mais emblemáticas do filme, e que seria o ponto de partida para o ativismo ambiental, é a que mostra a derrubada de uma árvore ? a casa do povo da floresta. Cameron aponta a imagem como a matriz de um sentimento de revolta.

Marina disse ter ido às lágrimas com a derrubada da árvore. "Chorei diversas vezes e um dos momentos mais fortes foi quando derrubam a grande árvore. Era a derrubada de um mundo, com tudo o que nele fazia sentido."

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