Marina cobra punição por devassa fiscal

Candidata do PV critica vazamento de dados do vice-presidente do PSDB pela Receita Federal e diz que vale-tudo não pode ser tolerado

Marcelo Auler, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência , Marina Silva, defendeu ontem que os autores pelo vazamento de informações da Receita Federal sejam punidos tão logo a responsabilidade seja comprovada.

"Não estamos em uma sociedade de justiçamento", disse a presidenciável referindo-se à nota divulgada anteontem pela Receita Federal confirmando que auditores do órgão tiveram acesso às declarações de renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira.

Os dados, referentes a 2008 e 2009, teriam teriam sido incluídos em suposto dossiê da campanha de Dilma Rousseff (PT) e usados como arma de guerra eleitoral.

Na opinião de Marina, devem ser punidos também "aqueles que lançam mão de informações adquiridas de forma ilegal e fraudulenta para prejudicar quem quer que seja". "Esta punição, é claro, é dada pela sociedade, pelo cidadão."

Marina insistiu no discurso de que o processo eleitoral não pode ser um vale tudo. "Toda e qualquer informação que extrapole o Estado Democrático de Direito não deve ser tolerada, nem pelas instituições, nem pelos candidatos e, principalmente, pela sociedade", salientou.

Segundo ela, em uma eleição se tem que provar a capacidade de respeitar as instituições públicas. "Se, para ganhar, não se respeita as instituições e o jogo democrático, é um sinal de que quando estiver com o poder na mão, pior fará", explicou.

Segurança. Ao visitar o Morro dos Prazeres, no bairro de Santa Teresa, no centro do Rio, a candidata do PV defendeu a extensão das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) a "todas comunidades que ainda vivem sob área de risco".

A instalação das unidades nos morros cariocas foi uma iniciativa do governador Sérgio Cabral (PMDB), que usa o projeto como uma de suas bandeiras s para a reeleição. Mesmo assim, o candidato do PV ao governo do Estado, Fernando Gabeira, já incorporou as unidades policiais ao seu discurso, com a proposta de estendê-las a todo o Estado e não apenas em alguns morros.

Para visitar o morro e inaugurar mais uma Casa de Marina - comitês eleitorais nas residências de eleitores - a candidata do PV não teve problemas com o tráfico de drogas na favela, conhecida pela violência.

O único incidente registrado durante a visita foi com uma repórter de uma emissora de rádio, que se perdeu no acesso ao morro e encontrou dois homens, um deles armado com uma pistola. Ao saber qual era o caminho correto, a jornalista conseguiu encontrar, sem problemas, a comitiva da candidata.

Em seu discurso, Marina defendeu uma política de segurança para os centros urbanos - executada em parceira entre o governo federal e os Estados e que pense a segurança nos diferentes aspectos: trabalho de prevenção, inteligência e ação repressiva. "Nunca uma coisa isolada da outra", afirmou.

Após visitar a comunidade dos Prazeres, a candidata caminhou no Largo da Carioca, no centro. Ao passar pela entrada do Metrô, foi homenageada com a música Marina, de Dorival Caymmi, por Ademir de Paula, o Ademir Leão, de 60 anos, que há 26 toca saxofone na calçada. Deu a ele R$ 10 e confessou "você me convenceu que eu sou bonita com o que Deus me deu".

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