Marina corta assessores que faziam campanha

Nota diz que exoneração já fora providenciada, embora ainda não publicada no 'Diário Oficial'

Daiene Cardoso e Anna Ruth, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, anunciou ontem, em nota emitida pelo comando de sua campanha, a exoneração da assessora Jane Maria Villas Boas. Funcionária do Senado, ela participou na quinta-feira em Bauru de evento da agenda oficial da candidata. Além de Jane, o assessor Pedro Ivo de Souza Batista foi exonerado "preventivamente".

O comunicado, assinado pelo coordenador da campanha, João Paulo Capobianco, diz que Jane e Batista estão em período de recesso parlamentar (que começou no dia 17 e vai até segunda-feira), o que libera a participação deles em qualquer outra atividade, "inclusive as de cunho político-eleitoral".

Reportagem do Estado na quarta-feira mostrou que uma tropa de cabos eleitorais pagos pelo Senado está trabalhando na campanha dos senadores candidatos. São assessores que, oficialmente, deveriam apenas cumprir expediente nos gabinetes, mas estão nas ruas pedindo voto, coordenando e ajudando na corrida eleitoral dos parlamentares.

"Apesar de ambos (Jane e Batista) estarem, portanto, em condição regular do ponto de vista funcional e legal, os dois servidores serão exonerados imediatamente", assinala a nota da campanha de Marina. A nota explica que o pedido de exoneração já havia sido providenciado, mas ainda não teria sido publicado no Diário Oficial.

O comunicado diz também que Marina se licenciou de funções no Senado para não "misturar" o mandato parlamentar com atividades partidárias. Informa ainda que ela exonerou em junho os assessores parlamentares Bazileu Alves Margarido e Carlos Antônio Rocha Vicente para que eles dedicassem à campanha eleitoral. Assim como Margarido e Vicente, Jane e Batista passarão a se dedicar exclusivamente à campanha.

Críticas. Em campanha em Natal, Marina fez duras críticas a seus dois principais adversários, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra. E chegou a dizer que os dois concorrentes são muito parecidos, inclusive no egocentrismo.

"Dilma e Serra são muito parecidos. São desenvolvimentistas, criteriosos e estrategistas. E estão muito focados no eu, eu, eu", observou, em entrevista coletiva.

A passagem da presidenciável do PV pela capital potiguar foi marcada pela inauguração da primeira Casa de Marina no Estado, uma caminhada no bairro do Alecrim, tradicional centro comercial, e ainda uma palestra na Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Marina ponderou que mantém uma relação de "respeito" com Dilma. "Nossas divergências são sempre no campo profissional e isso sempre ficou muito claro", ressaltou.

Na palestra da SBPC, a candidata do PV foi provocada pela plateia a falar sobre a liberação da maconha. Ela voltou a defender um plebiscito sobre o tema.

Marina defendeu uma gestão de educação integrada e lembrou que enquanto o Brasil gasta R$ 1.114 por aluno ao ano, o Chile investe R$ 2 mil. "O Brasil está 30 anos atrás do Chile", destacou.

Sobre os projetos sociais, a presidenciável prometeu ampliar o Bolsa-Família e promover a integração produtiva. "Vamos manter o Bolsa-Família, mas a ideia é avançar mais, proporcionando uma maior igualdade de oportunidade entre os brasileiros."

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