Marina critica expansão do etanol brasileiro

Pré-candidata do PV defende certificação para garantir que combustível seja sustentável e [br]legislação, respeitada

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE, WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

A senadora Marina Silva (AC), pré-candidata do PV à Presidência, alertou ontem para o perigo da expansão da produção de etanol no Brasil. "Nós não temos de ser a Opep dos biocombustíveis", disse Marina, em entrevista ao fim de viagem de três dias a Washington. "Nós vamos produzir o que é possível, sem risco para segurança alimentar e meio ambiente, e transferir tecnologias para outros países, na África e Caribe.".

Marina defende a eliminação da tarifa americana sobre o etanol brasileiro e abordou a questão em reunião ontem com Maria Otero, subsecretária de Estado para Democracia e Assuntos Globais. Mas ela disse que é preciso certificar o etanol brasileiro, para garantir que o combustível seja sustentável e evitar que concorrentes usem o desmatamento como desculpa para prejudicar o produto brasileiro.

"Não sei por que em oito anos de governo não se fez a certificação do etanol", criticou a senadora. Segundo ela, ao certificar o etanol, é estabelecida uma cota de produção que não vai afetar a segurança alimentar, usam-se critérios de respeito à legislação trabalhista e legislação ambiental. "Isso vai desconstruir o argumento daqueles que usam a questão ambiental para barrar nosso etanol", disse. "Mas se continuarem as mesmas pessoas (no governo), vão ser mais oito anos perdidos."

Marina jantou no domingo com o diretor do filme Avatar, o canadense James Cameron, durante duas horas. Cameron se ofereceu para fazer campanha eleitoral para Marina. "Eu definitivamente faria campanha para ela", disse o diretor do filme que teve a maior bilheteria já registrada no mundo. "Eu e minha mulher somos grandes fãs de madame Silva, seus projetos são muito alinhados com nossas políticas", disse Cameron.

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