Marina critica 'fisiologismo' das alianças de PT e PSDB

Segundo a candidata do PV, os dois partidos precisam conversar mais e pensar no Brasil, não em composições

Jair Aceituno ESPECIAL PARA O ESTADO BAURU, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou ontem que o PT é vitima do fisiologismo do PMDB e o PSDB tem o mesmo problema em relação ao DEM. As duas legendas, segundo ela, precisam "conversar mais" e pensar no Brasil, não em composições.

Quanto à sua candidatura, destacou que procurou fazer uma aliança modesta, mas programática e coerente, com a qual pretende chegar ao Palácio do Planalto. "Não estamos com as alianças tradicionais, aqueles velhos caciques políticos, que quando sobem no palanque já somam 500 anos de política velha. Pessoas que, se a gente for ver seus discursos de cinco, dez anos atrás, era inimaginável que um dia estivessem juntas."

Marina disse que pretende chegar ao governo como uma opção, a exemplo de quando se elegeu para o Senado, no Acre, com apenas 3% nas pesquisas, contra dois fortes adversários que pontuavam alto. "Eles tinham jornal, rádio e televisão para falar bem deles e mal de mim." Segundo a candidata do PV, tanto naquela época quanto agora, as grandes coligações "colocaram o eleitor no anonimato", ao decidirem quem seria o candidato de oposição e o de situação. "Alguns nem querem ir a debates e só esperam o voto do povo no dia 3 de outubro", cutucou.

Numa entrevista para um canal de TV de Bauru, a presidenciável não se furtou a falar sobre temas ligados aos gays. Afirmou que, por convicção espiritual, entende que casamento é um sacramento para homem e mulher e, assim, contrária ao casamento gay. Mas disse defender o direito à herança e plano de saúde compartilhado e os respeita como a qualquer ser cidadão.

"Eu sempre vou dizer com toda transparência quais são as minhas posições. Acho que é um desrespeito à comunidade gay aqueles que, num fórum com eles, levantam suas bandeiras, dizem que são favoráveis e, num outro fórum, com religiosos, mudam de posição, dizendo que são contra", ressaltou. E argumentou que, mesmo assim, sempre fez campanhas para candidatos que apoiam as teses dos gays, como Marta Suplicy em São Paulo e Fernando Gabeira, no Rio.

Pastores. Marina teve reuniões com pastores evangélicos de toda a região e percorreu veículos de comunicação da cidade. À tarde visitou o Hospital de Recuperação de Lesões Lábio-Palatais da USP, também conhecido como Centrinho, inaugurou a Casa de Marina e caminhou pelo calçadão do centro da cidade.

A candidata encerrou a programação com um comício - o primeiro realizado na cidade na atual campanha eleitoral. Ela esteve acompanhada pelos candidatos a vice-governador de São Paulo, Rogério Menezes, e ao Senado, Ricardo Young. Em todas as entrevistas, a candidata poupou o presidente Lula e, numa delas, repetiu seu bordão. "Agora que o povo perdeu o medo de votar em "Silva", pode continuar votando em "Silva", mas em Marina."

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