Marina critica mudança feita no Ficha Limpa

Na terça-feira, candidata do PV suspendeu sua licença do Senadopara votar e discursou a favor do projeto

Eliana Lima, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

Dois dias depois de votar a favor do projeto Ficha Limpa, a pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, criticou ontem as mudanças feitas na proposta. Uma emenda do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) deixou claro que a inelegibilidade por oito anos só valerá para os políticos condenados por órgão colegiado depois da sanção da nova lei.

No dia da votação do projeto, Marina fez questão de suspender sua licença do Senado apenas para votar a proposta e discursou favoravelmente ao projeto. "Duvido que, se não tivéssemos uma mobilização dos meios de comunicação, da sociedade civil, da juventude brasileira, tivéssemos agora este resultado tão célere. O constrangimento ético funciona e é um instrumento democrático de refinamento da política brasileira. Eu sei o quanto é importante a transparência, os mecanismos de controle, para que a política possa ser refinada", afirmara, na quarta-feira.

Gatilho. Ontem, entretanto, a senadora mudou de opinião. Pela primeira vez na Bahia desde a sua indicação como pré-candidata à Presidência, ela criticou a mudança redacional apresentada por Dornelles ao projeto. Detalhe: a emenda de redação que, agora Marina está criticando, foi aprovada na manhã de quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

"Eu diria que essa questão foi um verdadeiro gatilho, porque a compreensão que se tinha era de que estava mantida a coerência do projeto. Não esperávamos esse gatilho. O senador Dornelles fez ali um gatilho e ficou uma questão bem delicada porque agora tudo o que tínhamos para comemorar acabou inviabilizado", disse Marina Silva.

A assessoria de sua campanha foi procurada para comentar a declaração de Marina, mas não retornou a ligação do Estado. A assessoria da senadora em Brasília não quis comentar a mudança de opinião de Marina sobre o projeto Ficha Limpa.

A avaliação de parte dos deputados é que a emenda abriu brecha para candidatos com ficha suja. A expressão "os que tenham sido condenados" foi substituída pela "os que forem condenados", retardando a aplicação da nova lei para os casos que venham ocorrer somente após a sanção presidencial.

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