Marina critica rivais por ''festival de baixarias''

Ela alfinetou Dilma por reclamar da Justiça Eleitoral e ironizou vice de Serra, dizendo que ''Índio não está preparado para ser cacique do Brasil''

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, acusou ontem os adversários do PSDB e do PT de promoverem um "festival de baixarias" nesta campanha presidencial e insistirem na polarização. Em tom de ironia e fazendo trocadilhos, criticou também o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice na chapa de José Serra.

"Aprendi com os índios na Amazônia que é muito importante estar bem preparado politicamente, tecnicamente e inclusive emocionalmente para pretender o lugar de cacique. Acho que talvez o deputado Índio não esteja suficientemente preparado para ser cacique do Brasil", afirmou, sobre entrevista de Índio da Costa em que ele dizia que são claras as ligações do PT com as Farc e o narcotráfico.

"Não vamos entrar neste festival de baixaria em hipótese alguma. Antes parecia que era um plebiscito de currículos. Agora, querem fazer o plebiscito entre quem faz mais baixarias. Isso não é bom para o Brasil", afirmou a senadora, que visitou ontem, em São Paulo, o 13º Festival do Japão. O evento atraiu, no final de semana, cerca de 160 mil pessoas.

Marina Silva disse que tem respeito pelo PT - partido ao qual foi filiada por quase 30 anos - e pelo PSDB e que acusações como as de Índio da Costa "não são boas para a democracia".

O deputado do DEM deu as declarações em entrevista ao site Mobiliza, criado pelo PSDB para fomentar debates em redes sociais. Ontem, o vídeo da entrevista não constava mais na lista de entrevistas do site tucano.

Justiça Eleitoral. Marina também alfinetou Dilma Rousseff, que sinalizou descontentamento com o Ministério Público Eleitoral ao dizer que a justiça não pode ter dois pesos e duas medidas. "Se estivermos observando a lei, com certeza vamos reclamar menos da Justiça", disse ela. E acrescentou: "A Justiça Eleitoral tem que garantir que o processo seja equilibrado e democrático, e isso é válido para o governo federal e também para o do Estado de São Paulo". A seu ver, os limites da lei foram extrapolados tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pelo governador tucano Alberto Goldman, cada um elogiando seu candidato (Dilma e Serra) em eventos oficiais.

Rouca, mas descontraída, vestida com uma espécie de bata japonesa e com rabo-de-cavalo, Marina foi a única presidenciável a visitar o tradicional festival que reúne imigrantes em São Paulo, sendo reconhecida por várias pessoas. Segundo o presidente da Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, Akeo Yogui, todos os presidenciáveis foram convidados. José Serra, disse a assessoria, havia cogitado passar no local sábado à noite, mas desmarcou.

Em Teresina. De manhã, a candidata do PV esteve em Teresina, no Piauí, onde se reuniu com militantes verdes no auditório Mestre Dezinho e fez as mesmas queixas contra "o plebiscito de baixarias" que estaria sendo promovido pelo PT e o PSDB.

Num clima muito pouco verde - foram servidos refrigerantes em lugar dos sucos, e muitos copos de plástico ficaram ao final jogados pelo chão -, a conversa foi marcada por muitas citações bíblicas, parábolas e pastores evangélicos. Marina avisou a todos que queria "discutir propostas e ideias".

A senadora surpreendeu a plateia ao prometer dar seguimento à política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com o Plano Real, e aos programas sociais do presidente Lula, como o Bolsa-Família. "Mas nossa intenção é corrigir as falhas e garantir as conquistas sociais de terceira geração", afirmou. "Não só fazer um discurso fácil da oposição." COLABOROU LUCIANO COELHO, DE TERESINA

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