Marina defende autonomia do BC

Em palestra para investidores e empresários dos EUA, ela diz que política econômica está no caminho certo, mas não comporta acomodação

Gustavo Chacra , Luciana Xavier CORRESPONDENTES /NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

Marina Silva, candidata do PV à Presidência da República, defendeu a autonomia operacional do Banco Central em palestra para investidores e empresários dos Estados Unidos ontem em Nova York. Segundo a senadora, a política econômica brasileira está no caminho certo, mas isso não significa que possa haver acomodação.

"Sou favorável à autonomia operacional do Banco Central", disse, ressaltando que, mesmo sem ser institucionalizada, a independência do BC tem dado certo no Brasil. No encontro com os investidores, Marina também defendeu "princípios que deram certo, como a busca de metas de inflação, câmbio flutuante e acumulação de reservas cambiais".

Marina afirmou ainda que o controle da inflação não deve ser feito somente por meio de aperto monetário, mas também através de política fiscal. "Temos um processo de controle de inflação pela elevação dos juros. Nós queremos controlar também a inflação pela redução do gasto público", afirmou a candidata, que participou de encontro com a comunidade financeira norte-americana, com cerca de 200 pessoas, em evento organizado pela BM&F Bovespa, em Nova York. Dilma Rousseff, do PT, já participou de evento similar e José Serra (PSDB) ainda não confirmou quando virá a Nova York.

Promissor. Perguntada pelo Estado se pode haver um crescimento de sua candidatura nas pesquisas como o observado por Antanas Mockus, do Partido Verde da Colômbia, que saiu do quinto lugar para a disputa do segundo turno na campanha presidencial, Marina respondeu que sim. "Se compararmos com José Serra que está aí há muito tempo, Dilma, que faz quase três anos que vem colocando seu nome como candidata, nós diríamos que estamos num patamar muito promissor", afirmou Marina em entrevista ao lado de seu vice, Guilherme Leal, que é presidente da Natura, e do economista Eduardo Giannetti da Fonseca.

A candidata do PV criticou alguns pontos da política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na entrevista coletiva. Segundo Marina, o Brasil não seguiu seus princípios em alguns episódios. "Causou estranhamento a audiência dada ao governo do Irã. O mesmo vale para os presos políticos cubanos." Apesar dessas divergências, a senadora elogiou a aproximação do Brasil com regiões antes ignoradas pela diplomacia brasileira e também pelo estabelecimento da liderança brasileira no G-20.

Estética. Questionada pela Agência Estado se tem alguma preocupação em fazer mudanças de ordem estética, como cirurgia plástica ou alteração de guarda-roupa, como fez a candidata petista Dilma Rousseff, ou ainda buscar passar uma imagem mais simpática diante dos eleitores, Marina respondeu: "Na questão estética, em relação à cirurgia plástica, eu não tenho nada contra quem faça isso para se sentir melhor. Quanto as preocupações em se mostrar mais simpáticos, eu e o Guilherme já somos naturalmente simpáticos", disse Marina, bem humorada.

Tanto ontem como anteontem Marina vestiu blazer, blusa e calça. A diferença ficou por conta dos cabelos, mantidos naturalmente grisalhos e longos, e que anteontem estavam em rabo de cavalo e ontem, em coque.

Na viagem aos EUA, Marina também se reuniu com eleitores e participou de encontros com o conselho editorial do Wall Street Journal e da Bloomberg.

Pesquisas

MARINA SILVA CANDIDATA DO PV À PRESIDÊNCIA

"Se compararmos com Serra e Dilma, diríamos que estamos num patamar muito promissor"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.