Marina defende continuidade dos 'Silva'

Candidata do PV elogia atual governo, mas diz que 'Lula precisa de um sucessor que seja capaz de avançar em outras questões importantes'

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Nem opositora, nem defensora da continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Marina Silva, candidata do PV à Presidência, afirmou ontem que pretende ser uma "sucessora" de Lula no Planalto.

Sem citar seus principais adversários, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), Marina afirmou que o presidente não precisa de alguém que faça "oposição por oposição" e tampouco de um "continuador que acha que está tudo bem e que é só continuar acelerando na mesma direção".

"Ele precisa de um sucessor que seja capaz de integrar as conquistas e agregar uma nova direção. Me coloco como sucessora de Lula", afirmou, após sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo, na capital paulista.

A posição de Marina, adotada desde a convenção do PV que a aclamou como postulante do partido, no último dia 10, tem sido o mote da candidata verde para superar o que chama de "polarização PT-PSDB" na corrida presidencial.

"As pessoas que votaram no Lula vão continuar votando num Silva, mas agora vão votar em mim", afirmou.

Em seu argumento, Marina elogiou especificidades das gestões de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e de Lula, mas apontou pontos negativos que, segundo ela, precisam ser aprimorados.

"Lula precisa de um sucessor para manter as conquistas dos últimos 16 anos, mas que também seja capaz de avançar em outras questões importantes, como a da mudança da matriz energética", assinalou.

Perguntada sobre qual dos dois presidentes teria sido melhor, a candidata do PV ressaltou que nenhum dos dois trouxe à tona sua principal agenda programática. "Os dois têm qualidades. Lula fez o País crescer e distribuir renda. FHC estabilizou a economia. Nenhum dos dois ainda soube agregar a questão da sustentabilidade", assinalou.

Já sobre o perfil de seus concorrentes ao Planalto, "eles (Serra e Dilma) são muito parecidos", afirmou a presidenciável, em referência ao que considera visões desenvolvimentistas sem bases sustentáveis.

Entre críticas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o qual Marina considera uma "colagem de obras", e o fantasma do apagão da gestão tucana, a candidata do PV disse apostar em melhor planejamento.

"Temos de sair do gerenciamento para o planejamento dos próximos 20, 30 anos", alertou. "Não dá para ficarmos na forca. Vamos ficar na berlinda com risco de apagão."

Para a candidata do PV, equilibrar a equação de desenvolvimento e sustentabilidade é "perfeitamente possível". "Desde que não se coloque em oposição as questões sociais e ambientais com o desenvolvimento", observou Marina.

O tema, ressaltou ela, durante a sabatina, foi o estopim para a saída do Ministério do Meio Ambiente, em maio de 2008. "Minha saída foi a maior explicitação das divergências que tive no governo", afirmou.

Além da sustentabilidade, Marina disse ter um "compromisso visceral" com as bandeiras da saúde e da educação. "Quem passa pelo que eu passei, quem é alfabetizado aos 16 anos, como eu fui, tem esse compromisso muito forte", disse.

Temas polêmicos. Marina foi firme sobre o casamento gay, tema que causou desconforto na campanha verde e resultou em críticas na internet de entidades ligadas à causa LGBT.

"Tenho sido muito criticada, mas sempre apoiei (Fernando) Gabeira e Marta (Suplicy), embora apoiem essas posições. Não estamos elegendo o padre do País. O Estado é laico e não deve discriminar qualquer pessoa", afirmou.

A candidata verde disse ainda ser pessoalmente contra o aborto, mas defende plebiscito sobre o tema, assim como sobre a legalização das drogas.

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