Marina é contra criar mais ministérios

Pré-candidata do PV critica proposta de Serra e diz que criar a estrutura antes de reforma da segurança pública é inchar a máquina e os problemas

Evandro Fadel de Curitiba, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

A pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, discordou ontem da proposta do presidenciável do PSDB, José Serra, de criar os Ministérios da Segurança Pública e do Deficiente. Objeção semelhante já tinha sido feita pela pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

"Se a gente não pensar em reforma do sistema, criar mais ministérios é ir empilhando cada vez mais estruturas sem o cuidado em relação à visão e a gestão", afirmou Marina.

Em entrevista coletiva na sede do PV em Curitiba, na qual só foi permitida uma pergunta para cada órgão de imprensa, ela falou particularmente da proposta sobre a segurança. "Tem de fazer uma reforma da segurança pública e, a partir daí, tendo uma visão, estabelece-se um processo e cria-se a estrutura", afirmou. "Criar a estrutura antes é inchar cada vez mais a máquina pública e inchar todos os problemas."

Ela voltou a lamentar a saída do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da disputa pela Presidência. "Foi feita uma operação de guerra para não permitir que o partido lhe desse a legenda", criticou. Segundo ela, a democracia perdeu ao não se dar ao eleitor uma opção a mais. "Às vezes a pessoa conhece muito bem o conceito, mas quando a democracia pode prejudicar de alguma forma seu interesse de exclusivismo ou de não querer alternância de poder, aí se faz operação de guerra para inviabilizar as opções."

Circunstâncias. Marina considerou que sua pré-campanha está caminhando bem. "Não sou de me impressionar com as circunstâncias, se fosse assim nunca teria saído candidata a nada."

Em palestra para estudantes e empresários, a pré-candidata afirmou que o Brasil precisa de líderes e não de gerentes, destacando que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual, Luiz Inácio Lula da Silva, são grandes lideranças. E rechaçou a opinião de quem a critica pelos elogios a Fernando Henrique. "Se para ganhar votos é preciso abrir mão do que é justo e certo, é melhor abrir mão de voto."

Na palestra aos empresários ela não falou sobre a elevação da taxa de juros em 0,75 ponto porcentual, determinada anteontem pelo Copom. Mas, em entrevista pouco antes do encontro, defendeu a decisão - "responsável e necessária, buscando o controle da inflação".

Em relação às propostas econômicas, disse que o PV trabalhará com o tripé que, segundo ela, vem respondendo positivamente aos desafios enfrentados pelo Brasil - meta de inflação, superávit primário e câmbio flutuante. Indagada por empresários sobre a reforma tributária, evitou se comprometer. "Há algumas reformas que já se transformaram em consenso, mas ninguém faz: reforma tributária, política, da Previdência e outras mais." E afirmou que está se unindo à proposta do senador Pedro Simon (PMDB-RS)de uma constituinte exclusiva para realizá-las.

Para lembrar

Lula aumentou estrutura ministerial

Desde que assumiu o governo, o presidente Lula aumentou a estrutura ministerial da Presidência. Apesar de ter reduzido o número de ministérios - integrando algumas pastas -, aumentou o número de secretarias com status de ministério. Em 2003, eram 26 ministérios e 8 secretarias especiais. Hoje, são 24 ministérios e 13 secretarias.

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