Marina usa enchentes para atacar governo Lula e PSDB

Candidata diz que catástrofes como as que atingem o Nordeste não podem ser tratadas como fenômenos naturais

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 00h00

Com críticas diretas ao governo federal e à administração do PSDB em São Paulo, a candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva (AC), atacou ontem a "falta de preparo" dos gestores públicos para agir em casos de catástrofes, como as enchentes que já deixaram dezenas mortos e centenas de desaparecidos em dois Estados do Nordeste.

Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina disse que esses problemas não podem ser tratados ano após ano como se fossem fenômenos naturais. Segundo ela, as pessoas têm sido afetadas pela combinação de eventos extremos com ausência de planejamento.

"É fundamental que os governos federal, estaduais e municipais não continuem tratando esses eventos como catástrofes pura e simplesmente. São catástrofes também em função da falta de preparo", disse Marina, durante entrevista coletiva em Itaipava, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio, onde passou o dia.

"Aconteceu em Santa Catarina, São Paulo, Rio e vai continuar acontecendo se não tivermos os mapas de risco, se não criarmos um sistema de alerta, se não treinarmos adequadamente a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e a população", argumentou a candidata do PV.

Marina afirmou que durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente preparou um plano de mudanças climáticas que estabelecia ações preventivas para diminuir riscos decorrentes de problemas ambientais. "Quando saí (do ministério), estava praticamente pronto. Foi aprovado no Congresso, mas há seis meses não é regulamentado pelo governo."

Ela sustentou, sem citar a fonte nem o período, que o País investiu R$ 130 milhões para prevenção de situações de risco e gastou cerca de R$ 1 bilhão em ações para recuperações em casos de catástrofe. Segundo ela, em 2007, cerca de 2,5 milhões de pessoas foram afetadas por problemas desse tipo. Esse número subiu para 5,5 milhões, em 2009.

"Mesmo assim, os governos continuam despreparados. No Estado de São Paulo, por exemplo, a gente tem o mesmo governo há 20 anos e não se tomou atitude. Poderia se ter políticas continuadas para esse tipo de situação. É preciso que haja ações integradas. O mesmo precisa ser feito em todos os Estados."

Dossiês. Marina disse ver com preocupação "a guerra de dossiês" e lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi vítima desse tipo de prática. "Não vou ficar preocupada com dossiê até porque espero que prevaleça o debate e não a rasteira e o golpe baixo, de qualquer tipo de montagem ou atitude que já vi fazerem com o presidente Lula."

Após a entrevista, a candidata seguiu para um corpo a corpo no centro de Petrópolis, acompanhada de candidatos a deputados federal e estadual. O primeiro compromisso na cidade foi uma visita ao canal de TV evangélico Adonai, onde concedeu mais uma entrevista.

Depois, fez uma caminhada de 25 minutos, na qual cumprimentou de maneira tímida algumas pessoas que a reconheceram e tomaram a iniciativa de falar com ela. Marina relaxou no fim do passeio e chegou a dar beijinhos em quatro eleitores.

Ela foi recebida por um grupo de servidores em greve e prometeu, sempre identificando-se como senadora, interceder perante a Prefeitura de Petrópolis para tentar solucionar o impasse. Marina foi acompanhada por fiscais da Justiça Eleitoral durante todo o percurso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.