Marinha conclui resgate de corpos de acidente na Baía de Guanabara

A Marinha resgatou por volta das 9h15 da manhã desta quinta-feira, 19, o último dos oito corpos dos tripulantes do pesqueiro Costa Azul que estavam desaparecidos desde a noite de terça-feira, quando a embarcação colidiu com o cargueiro Roko na Baía de Guanabara e naufragou. Trinta mergulhadores da Marinha e da empresa Tecsub, dona do barco, trabalham no resgate com oito barcos, um bote e um rebocador. Com a conclusão do resgate dos corpos, o que sobrou do barco, que está a 37 metros de profundidade na baía, será içado.A traineira Costa Azul, um pesqueiro adaptado para embarcação de mergulho, que tinha 12 mergulhadores a bordo, ficou destruída. Dos 12, quatro conversavam na parte de trás da embarcação e pularam no mar, sendo resgatados com vida. Os outros, segundo os sobreviventes, dormiam dentro do barco, que foi atingido na lateral pelo bico do navio cargueiro e virou. O barco pertencia à TEC-SUB Engenharia Subaquática, de Santos.InvestigaçõesA Marinha investiga por que o barco menor não conseguiu evitar o choque com o navio. Prestam depoimento nesta quinta-feira no inquérito administrativo da Capitania dos Portos o prático e o contra-mestre do cargueiro. "A tripulação do Roko seguiu os procedimentos corretos. O que ocorreu foi um acontecimento lamentável. Eles nunca se envolveram anteriormente em acidentes", disse o advogado David Handerson, especialista em direito marítimo, que representa os tripulantes do cargueiro de bandeira das Bahamas. O advogado informou que a tripulação é russa e apenas o imediato é de Gana. "Estão todos abalados com as mortes", contou. Handerson afirmou que não vai tentar recorrer para apressar a liberação do navio, que tem como destino a Ucrânia. "Nosso interesse é que a investigação seja bem-feita".Os quatro sobreviventes do pesqueiro - Eduardo da Silva Pinto, Tiago Batista Barros, Eliezer Chaves Oliveira e André Luiz Lorenzeti, depuseram na Capitania dos Portos, nesta quarta-feira. Além deles, o comandante do cargueiro, Vladmirs Gruserviskis, e seu imediato também prestaram depoimento. O inquérito tem prazo de 90 dias para ser concluído. O comandante da Capitania dos Portos, capitão-mor-de-mar-e-guerra Antônio Monteiro Dias, informou na noite de quarta-feira que a colisão se deu entre a proa (parte anterior do navio) e o lado esquedo da traineira. Em tese, seria incompatível com as rotas das embarcações, a não ser que o barco tivesse tentado manobrar para evitar a colisão. Segundo ele, o barco levou de três a quatro minutos para afundar.De acordo com Dias, ainda é cedo para fazer qualquer afirmação sobre os fatores que determinaram a colisão, mas ressaltou que na noite de terça-feira a visibilidade era boa e não havia problemas de navegabilidade no local. De acordo com ele, a falha humana é a causa de cerca de 80% dos acidentes de navegação.

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