Marketing do carnaval ''''seguro'''' traz turista a SP

Número de visitantes saltou de 9 mil para 23,6 mil em dois anos

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

02 de fevereiro de 2008 | 00h00

São Paulo nunca foi sinônimo de carnaval, mas há cada vez mais turistas escolhendo a capital como destino nesta época do ano. Em 2005, 9 mil pessoas vindas de outras partes do País e do mundo compareceram ao Sambódromo paulistano. Este número subiu para 23,6 mil no ano passado, segundo a SPTuris. O que mais chama atenção é que, de cada dez turistas, dois são estrangeiros.Se o carnaval carioca é o de maior destaque internacional e a Cidade Maravilhosa, a que oferece paisagens atraentes, então, por que escolher São Paulo? "Muitas agências internacionais começam a vender o carnaval de São Paulo como o mais seguro do País", disse Luciano de Abreu, proprietário da empresa de turismo Check Point Receptivo e Service. "O turista estrangeiro antes de planejar sua viagem costuma se informar muito bem sobre o local que pretende ir. E se assusta com as notícias que circulam sobre a violência no Rio", explica Abreu. "Daí, São Paulo vira opção interessante, principalmente se recomendada pelas agências." Segundo Abreu, quem vem assistir ao carnaval de São Paulo acaba voltando. "Hoje (ontem) vou levar um grupo de malaios pelo terceiro ano consecutivo ao Sambódromo."O europeu representa a maioria dos turistas estrangeiros (40%). Muitos desembarcam a trabalho e aproveitam para cair no samba. Um grupo de quatro engenheiros holandeses praticamente abriu a quadra da Camisa Verde e Branco durante o ensaio, na Barra Funda, zona oeste, na quarta-feira à noite. Eles estavam na cidade para desenvolver o projeto da construção de uma fábrica. "Vi o carnaval brasileiro pela TV e estava curioso para saber como é ao vivo e em cores", disse Arno Vlug, de 44.Quando entrou a bateria, o público ferveu, mas entre os holandeses só Vlug arriscou uns passinhos. "Na minha terra também tem carnaval. Mas é muito diferente. A gente usa máscara e sai um atrás do outro, como se fosse um trenzinho", disse Frank Cornelisse. Em seguida, ele pergunta ao amigo: "Onde estão as mulheres?" Cornelisse esperava por jovens mulatas com trajes mínimos. Viu apenas a ala das baianas, composta por senhoras de meia-idade. "Não é nada parecido com o que vimos na TV", disse Vlug. Com uma festa mais comportada e familiar do que esperava, o grupo foi embora no auge do ensaio, às 23 horas. "Temos que acordar cedo para trabalhar."Entre os estrangeiros, saltam aos olhos os japoneses. No ano passado, representavam 15% dos turistas. Em 2008, devem subir no ranking. "Neste carnaval, São Paulo recebeu mais japoneses por causa dos 100 anos de imigração", disse Sônia Leite Ribeiro, da agência Go In São Paulo. "O curioso é que nenhum estrangeiro sabe ao certo que tipo de carnaval vai encontrar. Eles acham que os desfiles acontecem todas as noites. Há quem queira sair em blocos de rua", diz Luciano de Abreu. "Ao chegar ao Sambódromo se divertem muito, sem tumulto, e com muita segurança em volta."

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