Marketing versus política

De todos os erros atribuídos à campanha do PSDB, dois são consensuais entre os políticos que analisam a distância entre José Serra e Dilma Rousseff nas pesquisas. O primeiro, a recusa às prévias, propostas por Aécio Neves, que poderiam ter evitado a longa agonia da escolha do vice da chapa tucana e garantido apoio mais explícito e comprometido do ex-governador de Minas.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

O segundo, evitar a comparação entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, anunciada por este último como estratégia para dar à eleição caráter plebiscitário. Acredita-se agora que o PSDB cumpriu a pauta do adversário que desejaria exatamente o contrário: evitar a comparação.

Ao adotar essa linha de campanha, Serra não evitou o confronto direto com Lula, que se antepôs a Dilma todo o tempo, e deixou de capitalizar a bonança econômica que sustenta a popularidade do atual governo, cujos alicerces foram construídos na gestão FHC.

Esses aliados acham que Serra deixou o marketing conduzir a campanha em detrimento da política e, ao inverter essa lógica, isolou-se cada vez mais.

Acham ainda que ele deveria adotar como linha mestra da campanha a clássica síntese de que no governo do PT o que é bom não é novo e o que é novo não é bom.

Para não contrariar...

Alvo dos adversários por evitar debates, Dilma Rousseff confirmou presença nos próximos quatro: hoje à noite, na Rede TV; na CNBB, dia 23; na Record, dia 26, e na Globo, dia 30. Vai ao da CNBB a contragosto, porque a coordenação de sua campanha achou melhor não contrariar a Igreja, já ressentida pela sua recusa em ir à TV Canção Nova e rede de emissoras católicas. Lá estarão na pauta assuntos incômodos como aborto e casamento homossexual, entre outros sensíveis aos católicos, que, segundo o Datafolha, representam 61% da população brasileira.

Reforço no Sul

Lula e Dilma fazem comício amanhã em Joinville(SC), onde as pesquisas registram empate técnico com José Serra, do PSDB. O vice Michel Temer também vai, pela terceira vez. As principais lideranças do PMDB no Estado, o ex-governador Luiz Henrique e o ex-presidente do diretório estadual Eduardo Pinho Moreira, estão fechados com Serra, restando a Temer a minoria dos prefeitos.

De vento em popa

O patrimônio do ex-governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), preso pela Polícia Federal, aumentou 11 vezes entre 2006 e 2010. Seu companheiro de chapa - e de cela -, o governador Pedro Paulo Dias (PP), declarou à Receita R$ 1,9 milhão - aparentemente subavaliado. Ele possui mais de 2 mil cabeças de gado bubalino (búfalos), da raça Murrah, cuja novilha é comercializada a R$ 3 mil, e as matrizes a R$ 8 mil. Se tivesse apenas novilhas, seu patrimônio - só em gado - seria de, no mínimo, R$ 6 milhões.

Fazendo água

Começa a fazer água a candidatura de José Fogaça ao governo gaúcho. A última pesquisa Ibope mostra seu adversário, Tarso Genro, 18 pontos à frente, com 41% das intenções de voto, contra os 23% do ex-prefeito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.