Maroni sai da prisão e se lança à Prefeitura

Empresário, acusado de facilitar prostituição, ganha habeas-corpus

Rodrigo Pereira e Alexandra Penhalver, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2007 | 00h00

Acusado de favorecimento da prostituição, o empresário Oscar Maroni, de 55 anos, foi libertado ontem da carceragem do 13º Distrito, depois de 50 dias preso, e tratou de anunciar que vai disputar a eleição para a Prefeitura, em outubro de 2008. "Sairei por um partido pequeno. Estamos negociando e devo divulgar a legenda entre sexta e segunda-feira. Vote em mim se quiserem", afirmou Maroni, com o neto Igor no colo. "É por ele que serei candidato." Empresário da noite paulistana, dono do Oscar?s Hotel, dono da franquia da revista Penthouse no Brasil, e criador de gado de corte e cavalos, Maroni disse que pretende usar a experiência "bem-sucedida" na administração municipal, caso seja eleito. "Minha plataforma será administrar a cidade como se fosse uma empresa. Eu não vou dividir a cidade como se fosse um boi e dar o melhor naco a quem mais colaborou com a minha campanha", afirmou. "Em certas situações vejo o Brasil como uma empresa e não estou vendo esta empresa como deveria ser, veja o que ocorre em Brasília. Se isso acontecer nas minhas empresas eu demito quem está gerenciando. Uma empresa deve ter produtividade, será que isto está ocorrendo no País?" Polêmico, o empresário prometeu à família e aos advogados falar com mais prudência. Durante entrevista coletiva realizada na Boate Bahamas - fechada pela administração por falta de alvará de funcionamento, mas aberta para receber a imprensa - Maroni disse que "falou sem pensar no calor da emoção ao prefeito Gilberto Kassab (a quem chamou de ?Madre Superiora?)" e pediu desculpas a ela. Foi contido e, festejado por funcionários e familiares, "agradeceu à Justiça e ao Ministério Público". Cinco quilos mais magro, o empresário deixou a cadeia ao som Pra não Dizer que não Falei das Flores, de Geraldo Vandré. Parou no caminho, e foi comer costelinha de ovelha na churrascaria Fogo de Chão, em Moema. "Sonhava com esta costelinha na cela. Comia arroz e feijão como se fosse estrogonofe", contou o empresário que disse ter saído "mais humilde" do DP. HABEAS-CORPUS Por 3 votos a zero, o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu ontem habeas-corpus revogando a prisão preventiva de Maroni. Ele estava detido desde o dia 14 de agosto, e responde a processo por favorecimento à prostituição, tráfico interno de mulheres, exploração de prostíbulo e formação de quadrilha. Embora o advogado José Thales Solon de Mello tenha orientado Maroni a evitar manifestações ruidosas que compliquem sua defesa, antes mesmo de deixar a detenção seu cliente já convocava uma entrevista coletiva para comentar sua prisão e explicar as estratégias para enfrentar o Ministério Público Estadual no processo. E escolheu como palco o próprio Bahamas, um dos pivôs da briga do empresário com Kassab e com o MPE. "Ele vai falar, mas nada de polêmica. Vai apenas comentar a decisão da Justiça", disse o advogado. "Não havia motivos para decretar sua prisão preventiva." Para o promotor José Carlos Blat, que abriu o inquérito contra Maroni, "a liberdade provisória não minimiza a gravidade da denúncia". "É um direito dele, conseguiu esse benefício judicialmente. E, se cometer alguma afronta à ordem pública, às testemunhas, à preservação das provas, o habeas-corpus pode ser cassado. Só depende do comportamento dele." Blat contou que Maroni depôs no processo na semana passada, sustentando que o Bahamas "era na verdade um balneário, e não um prostíbulo". Na quinta-feira o promotor tem audiência com as testemunhas do processo. Se for condenado pelos quatro crimes dos quais é acusado, Maroni pode pegar pena de 8 a 21 anos de prisão. Segundo Mello, Maroni tentará agora a liberação do Bahamas e do Oscar?s Hotel. Após o acidente com o Airbus A320 da TAM, em julho, o prédio do hotel foi lacrado por Kassab. Construído como se fosse um prédio comercial, o local era, na realidade, um flat residencial.

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