Marronzinhos ameaçam São Paulo com greve e "caos"

Reunidos em assembléia, em frente ao prédio da Câmara Municipal, no centro de São Paulo, cerca de 200 funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aprovaram proposta de greve do sindicato da categoria. A paralisação começa às 22h40 desta quinta. "Na sexta-feira, o trânsito na cidade ficará um caos", prometeu o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Trânsito Urbano (Sindiviários), Luiz Antonio Queiroz."Dos 2.200 funcionários do setor operacional, pelo menos 2 mil irão cruzar os braços, não removerão veículos quebrados ou acidentados, não farão manutenção dos semáforos e não aplicarão multas", disse.Segundo ele, a categoria não queria chegar à greve. "Infelizmente, a Prefeitura não nos deu alternativa e temos de protestar contra as demissões e garantir o emprego dos funcionários."O corte de R$ 29 milhões no orçamento da CET vai provocar a demissão de mais 121 funcionários até o fim do mês. Outros 130 - todos aposentados - estão sendo informados de que serão desligados da empresa. Além disso, 155 funcionários, entre eles 67 aposentados, já aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV). No total, serão demitidos 406 funcionários, ao custo de R$ 15 milhões.As informações foram dadas ensta quarta pelo presidente da CET, Francisco Macena, à Comissão de Administração Pública da Câmara, preocupada com a greve "branca" promovida pelo Sindiviários. O secretário municipal de Finanças, João Sayad, também foi convidado a dar esclarecimentos, mas não compareceu.Macena garantiu que as demissões não vão prejudicar o trânsito da cidade. "Nenhum funcionário do setor operacional, os chamados marronzinhos, será demitido", garantiu. "Seria uma incoerência, pois, recentemente, contratamos 600 operadores."O presidente da CET explicou que, apesar de a empresa gastar R$ 15 milhões com as demissões, irá economizar R$ 20 milhões com a folha de pagamento.Ele negou que 67 assessores contratados pela atual administração sejam responsáveis pelo gasto de R$ 10 milhões em salários, conforme denunciou o Sindiviários. "Primeiro, os números estão errados. São 69 assessores que exercem cargos de confiança e recebem R$ 6,8 milhões. Segundo ele, nenhum faz trabalho político. Todos são técnicos, advogados, orientadores pedagógicos, assessores de imprensa e engenheiros, que fazem projetos paisagísticos, uma nova atribuição da CET."Macena informou que, nas subprefeituras, atuam 15 assessores da CET. "Para facilitar o atendimento à população, evitando que as pessoas sejam obrigadas a ir à Marginal do Pinheiros ou à Rua Bela Cintra para fazer suas reivindicações", justificou. Nas subprefeituras atuam ainda 16 assessores da São Paulo Transporte (SPTrans).Enquanto Macena prestava esclarecimentos, os funcionários faziam a manifestação em frente do prédio. Ele deixou o Palácio Anchieta a pé, enquanto os manifestantes vaiavam e gritavam: "Fora, fora".

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