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Marta aceita "com pesar" demissão de Zarattini

Após forte pressão, o secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, pediu "demissão em caráter irrevogável", aceita pela prefeita Marta Suplicy (PT), e voltará a assumir sua vaga de deputado estadual.Assim como a Secretaria dos Transportes, ele está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE). Segundo ele, as denúncias contra a pasta tiveram peso na decisão.Zarattini promete processar ChaimZarattini culpou por sua saída "alguns" vereadores da base governista, empresários do setor de ônibus, o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus e o presidente do Grupo Niquini e militante do PT, William Ali Chaim - o autor das denúncias nas últimas semanas.Prometeu processar Chaim e pedir a abertura de processo contra ele no Diretório Municipal do PT por "ter prejudicado a administração da prefeita".No lugar de Zarattini assume interinamente o chefe de gabinete da secretaria, o engenheiro agrônomo Luiz Silveira Rangel, de 43 anos. É a sexta vez que a prefeita troca de secretário desde o início da gestão.Marta aceita demissão "com pesar"O anúncio formal da demissão foi feito pela prefeita em seu gabinete. "O secretário me colocou o seu pedido de demissão de maneira irrevogável", disse Marta. "É com pesar que eu aceito essa demissão, mas sinto que não há condições de demovê-lo da idéia.""As denúncias fazem parte de um processo de desgaste comandado pelo Grupo Niquini, cujas empresas são as piores de São Paulo", afirmou o ex-secretário. "Vou tomar as medidas judiciárias para que não pairem dívidas sobre minha atuação." Zarattini diz que abrirá seu sigilo fiscal e bancárioEle disse que abrirá o seu sigilo fiscal ebancário e sugeriu que a imprensa investigue a vida pessoal dele, de Chaim e do proprietário do Grupo Niquini, Romero Teixeira Niquini.Apesar de não dar nomes, afirmou que "existem vereadores" que vêm trabalhando para que nada mude no transporte. Disse que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Secretaria dos Transportes com ele no cargo poderia paralisar o processo de licitação do novo modelo."Queremos que as piores empresas saiam de São Paulo e venham boas empresas", disse. "Entrego o cargo em caráter irrevogável porque quero que esse processo continue."Fim de semanaDe acordo com Zarattini, o pedido de demissão foi feito na tarde da última quarta-feira, após ele participar de uma sabatina na Câmara. "Não foi por conta da audiência, mas por toda uma avaliação." Entretanto, fontes afirmam que a decisão final foi acertada no fim de semana.William Ali Chaim, presidente do Grupo Niquini, que está sob intervenção, negou-se a comentar a saída. "Não sei se ele caiu por causa das minhas denúncias e creio que não foi só por isso, mas prefiro não falar sobre a demissão porque é um assunto que cabe ao governo."Sindicato de empresários não comenta; o dos empregados, simO Transurb, sindicato que representa os empresários, preferiu não comentar a demissão. Quanto às declarações de Zarattini, que responsabilizou também os empresários, informou não ter conhecimento dos fatos."O secretário não levava a sério os problemas da categoria. Desde que assumiu, sete empresas de ônibus fecharam. Até hoje 2 mil funcionários ainda estão na rua", disse o diretor-executivo do Sindicato dos Condutores de São Paulo, José Ilton."Tivemos várias reuniões com ele, sem sucesso. Ele só sabia culpar os empresários."Queda-de-braçoO secretário demissionário enfrentou, durante sua gestão, uma queda-de-braço com empresários de ônibus e sindicalistas. Seis paralisações deixaram a população a pé. Zarattini acusou os empresários de locaute (greve patronal).Em julho, ao apresentar o projeto do novo plano de transportes, Zarattini chegou a ser agredido por sindicalistas. Um mês depois, a audiência para discutir o texto só durou seis minutos.Ele enfrentou ainda protestos de perueiros.Sua popularidade na Câmara também não era alta. Membros da própria base de Marta Suplicy tentaram derrubar Zarattini. Os vereadores, liderados por Toninho Paiva (PL), se recusavam a votar o Plano Diretor se ele não deixasse a pasta.Zarattini iniciou a carreira política como suplente de vereador e se elegeu deputado estadual em 1998.

Agencia Estado,

18 de novembro de 2002 | 17h55

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