Marta chama perueiros de mafiosos

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), afirmou que não há possibilidade de negociação com os perueiros legalizados que entraram hoje no segundo dia de manifestações em frente da prefeitura. "Vou brigar quatro anos até que essa turma entenda que tem de procurar outro emprego. Metade deles não deve ficar (no sistema)", disse. Ela voltou a classificar a categoria de máfia, mas ressaltou que o enfrentamento está sendo promovido por donos de "linha"."A briga em frente da prefeitura é dos donos das linhas, pessoas que cobram dos perueiros para entrar naquela linha. É máfia pura", disse Marta. "Eles estão revoltados porque perderam seu negócio e estão acampados". A prefeitura já havia usado o mesmo termo para referir-se aos motoristas de vans clandestinos que acamparam nos portões do Palácio das Indústrias durante uma semana no mês passado.Durante visita à Administração Regional de Vila Mariana, na zona sul, Marta afirmou que estuda a possibilidade de pelo menos mil perueiros legalizados serem aproveitados no transporte escolar municipal. "Eles passariam por um curso de capacitação e seria uma forma de tratar as crianças que estão com dificuldades de chegar na escola. Está quase certo".ReivindicaçõesOs perueiros acampados em frente da prefeitura reivindicam a revogação de uma portaria na Secretaria Municipal dos Transportes, publicada anteontem no Diário Oficial do Município, que institui novas regras para os motoristas de lotação na cidade. De acordo com a liderança, a medida restringe o número de vagas pela metade ao exigir que o motorista substituto tenha o termo de permissão da secretaria. Outra preocupação dos perueiros é que a portaria limita o horário de trabalho a 8 horas diárias, metade da jornada feita atualmente pela maioria. A medida da Secretaria dos Transportes determina também as linhas em que eles poderão operar, funcionando principalmente como alimentadores do transporte público."Estamos fazendo um esforço para legalizar os 6 mil perueiros para trabalhar nessas condições; eles vão atuar principalmente na periferia e alguns vão alimentar os terminais de ônibus", afirmou Marta. "Isso seria uma localização especial para os legalizados. Quando fizemos essa proposta, eles indicaram 600 representantes, um para cada nova linha, e agora essa máfia vem protestar; eles vão fazer quanta arruaça quiserem", desafiou a prefeita.Pela manhã, os manifestantes fecharam a Avenida Mercúrio, em frente da prefeitura, no centro. De acordo com o líder da zona noroeste, Haroldo Mariano, eles devem ficar no local até conseguirem a revogação da portaria. À tarde, o local mais parecia uma feira. Aproveitando a movimentação, vários camelôs montaram barracas e os manifestantes levaram um carro de som para protestar. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fechou o Viaduto Mercúrio e a Guarda Civil estima que pelo menos 400 vans estavam estacionadas nas imediações da prefeitura. SegurançaA prefeita comentou também a morte do perueiro Sidney de Lima Advento. Ela aproveitou para criticar o governo do Estado. "É mais uma questão de segurança pública no Estado de São Paulo e, pelo jeito, vai mal das pernas", disse. Segundo familiares do perueiro, ele teria sido alvejado por policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) após perseguição.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2001 | 16h12

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