Marta desafia base aliada

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), desafiou nesta sexta-feira os vereadores da base aliada ao governo, que se rebelaram na Câmara Municipal, e aumentou ainda mais a crise entre Executivo e Legislativo. Ao desembarcar, às 17 horas, no Aeroporto de Congonhas, vinda do Estado do Espírito Santo, ela duvidou que os parlamentares tivessem coragem de pedir para ela pessoalmente a saída de seu secretário dos Transportes, Carlos Zarattini."Cargos ou pedidos de saída de secretários, eu duvido que os vereadores venham me falar", disse a prefeita. A pequena frase causou um mal-estar entre os vereadores aliados, que já estão ameaçando deixar a sustentação do governo e se tornarem independentes na Casa.Eles reivindicam a coordenação da Secretaria Municipal dos Transportes e a substituição do atual secretário. O vereador Toninho Paiva (PL) disse que, se a prefeita "der a oportunidade" de receber os parlamentares, ele não pedirá cargos, mas terá uma conversa de "alto nível". "Vou falar da incompetência do secretário (Zarattini) e irei relatar os acontecimentos internos da Câmara", afirmou.Já um dos líderes da base de sustentação rebelada, vereador Antônio Carlos Rodrigues (PL), foi um dos que mais criticaram a posição da prefeita e a atuação de Zarattini à frente dos transportes em São Paulo. Além disso, ele afirmou que, se for recebido pela prefeita, não vai falar apenas da Secretaria dos Transportes. "Eu vou falar da incompetência de várias secretarias. Se ela não aceita críticas construtivas, nós não aceitaremos mais ser base aliada", ameaçou o parlamentar, que sistematicamente vem reclamando que foi criada uma cortina de fumaça entre o Legislativo e o Executivo."O direito de duvidar é dela, mas o de falar é nosso. Se amanhã eu achar que um secretário não está bem, eu vou e falo. Esse é o papel do Legislativo." O vereador Rodrigues confirmou nesta sexta que é ligado aos empresários de ônibus e perueiros da cidade. "Eu milito no transporte. Eu sou ligado a empresários de ônibus, sou ligado a perueiros e ao pessoal do bairro a bairro. Só não tenho ligações com os empregados", disse o vereador. "Não acho crime nenhum representar um setor."Para ele, Zarattini foi reprovado pelas pesquisas qualitativas da Prefeitura de São Paulo, pela opinião pública e por todas as pessoas envolvidas no transporte da cidade. "O usuário reclama, o empresário de ônibus reclama, o perueiro reclama, o pessoal do bairro a bairro reclama. Quem está avaliando são os setores, não somos nós", afirmou.Mesmo assim, ele acredita que a prefeita não terá forças para exonerar o secretário. "Existe muita facção no PT e o governo municipal foi loteado por essas facções", declarou.O líder do governo, vereador José Mentor (PT), disse que não existe a hipótese de a base largar o governo e que está conversando com eles. Entretanto, ele disse que não marcou nenhum encontro entre os vereadores situacionistas e a prefeita.Nesta sexta, no final da noite, os vereadores da Casa conseguiram entrar em acordo a aprovaram pequenos projetos. Entre eles está o que regulamenta a contratação de estrangeiros pelo Poder Público, que foi aprovado em segunda votação e agora irá para ser sancionado pelo Executivo.Além deste, foram aprovados, em segunda votação, a autorização de cessão ao Instituto de Previdência Municipal (Iprem) de cerca de R$ 30 milhões de precatórios que o Estado deve ao Município, e o rolamento por 15 anos da dívida do Instituto.

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