Marta descarta hipótese de criar pedágio urbano em SP

A prefeita Marta Suplicy (PT) descartou ontem a possibilidade de criar em seu governo o pedágio urbano, a fim de reduzir os congestionamentos. "A prefeita acha que essa medida só poderá ser adotada quando São Paulo tiver um transporte público rápido, seguro e confortável", afirmou o secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini. "Isso não deverá ocorrer até o fim dessa administração, embora estejamos adotando projetos para a melhoria do transporte coletivo." O secretário negou a possibilidade de ocorrer uma ampliação do rodízio municipal de veículos. "Fizemos várias simulações com ampliação do número de veículos, das horas e das áreas de proibição. Constatamos que a melhoria na fluidez do tráfego seria muito pequena, não compensando o custo-benefício", destacou Zarattini. As informações foram anunciadas depois de uma reunião que a prefeita teve, no Palácio das Indústrias, com o secretário, técnicos do Departamento do Sistema Viário (DSV) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e especialistas em trânsito. Na ocasião, discutiram-se ações e propostas que poderiam melhorar as condições de tráfego na cidade. "Não foi tirado nenhum coelho da cartola. Apresentaram algumas idéias que serão discutidas", disse Zarattini. Fórum - Ficou decidida a criação de um Fórum de Trânsito, cujos técnicos e especialistas se reunirão, uma vez por mês, com o secretário. A cada dois meses, a reunião será com a prefeita. Todos os participantes concordaram que a implementação de medidas restritivas ao trânsito, como o pedágio urbano, terá de ser executada de qualquer maneira e em pouco tempo. Para Ailton Brasiliense, da Associação Nacional dos Transportes Público (ANTP), "a cidade precisa melhorar a estrutura do transporte urbano, para que o pedágio seja uma alternativa para os motoristas e não uma punição". Roberto Scaringella, ex-diretor do DSV, defendeu o pedágio urbano "para já", mas reconhece que a cidade ainda não possue condições para recebê-lo. Todos os dias, 2 milhões de pessoas se locomovem da região leste, onde moram, para trabalhar nas regiões central ou sudeste. "É necessário reduzir a necessidade de locomoção das pessoas, levando indústria, comércio, hospitais, escolas e serviços para perto dos locais onde elas moram", argumentou o professor Nicolau Gualda, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). O engenheiro Luiz Célio Botura, do Instituto de Engenharia (IE), propõe a criação de um plano metropolitano de trânsito, pois de 25% a 30% do total das viagens realizadas em São Paulo procedem das cidades vizinhas à capital. "Também é necessário haver melhor sinalização, pavimento de qualidade, transporte público confiável e adensar as regiões próximas ao trabalho."

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