Marta diz que pode ficar sem verbas por ser ?ano eleitoral?

A prefeita Marta Suplicy (PT) está disposta a investir até R$ 40 milhões do orçamento para contratação de obras de combate às enchentes na região do Aricanduva, na zona leste da cidade. Segundo a prefeita, as verbas serão utilizadas caso o governo federal não repasse o dinheiro prometido para o combate às enchentes. Marta admitiu que o embate entre a Prefeitura e o governo federal pode ter reflexo político nas proximas eleições. "Espero que isso não aconteça, mas há a hipótese do governo não liberar o dinheiro por ser um ano eleitoral", disse Marta. "Mas se o dinheiro não vier, isso vai aparecer em todos os programas de partidos da oposição", acrescentou.Marta anunciou a decisão hoje, após uma reunião com os vereadores líderes das bancadas na Câmara Municipal. As obras, cujos contratos serão em caráter de emergência (sem licitação), devem começar em um mês. Ela citou os R$ 40 milhões prometidos pelo ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna, em fevereiro. Durante uma visita a São Paulo após a região do Aricanduva ser castigada por mais uma enchente, Suassuna prometeu a liberação da verba em caráter de emergência. Na mesma época, Marta decretou situação de emergência na região, o que autoriza a Prefeitura a contratar obras sem licitação por um período de 90 dias.Do total prometido por Suassuna, o governo federal deve liberar apenas R$ 10 milhões, insuficientes para resolver o problema das enchentes. "Não tem sentido o ministro (Suassuna) prometer R$ 40 milhões, que depois viraram R$ 20 milhões e agora R$ 10 milhões", criticou Marta. Na reunião com os vereadores, ela apresentou um relatório sobre as enchentes em São Paulo, onde ficou demonstrado que são necessários cerca de R$ 3 bilhões para solução do problema. Caso a Prefeitura invista apenas recursos próprios, serão necessários 26 anos para conclusão de todas intervenções necessárias.Na reunião, o secretário de Infra-Estrutura Urbana, Roberto Luiz Bortolotto, apresentou um cronograma dos projetos que devem ser desenvolvidos na bacia do Aricanduva, que foi muito castigada com as chuvas do verão. Está prevista a ampliação da calha do Aricanduva em um trecho de 3,5 quilômetros e construção de três piscinões: Rincão, Inhumas e Machados. O mesmo projeto também prevê o alteamento (elevação) de cinco pontes, para facilitar o escoamento das águas das chuvas.PressãoLogo após a reunião, Marta ligou para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para combinar uma reunião de ambos com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para tratar do dinheiro que deve ser destinado a São Paulo. Segundo a assessoria da prefeita, o governador concordou e os dois irão reivindicar outra verba federal, de R$ 70 milhões, para o combate às enchentes na cidade. Desse dinheiro, R$ 40 milhões iriam para o governo do Estado e R$ 30 milhões para a Prefeitura. Não há previsão de quando o repasse será feito. "Mandei fazer a obra (do Aricanduva) e espero que o dinheiro federal venha para isso", disse Marta. Apesar do volume de recursos e os efeitos das obras serem sentidos apenas no próximo ano, ela defendeu os contratos de emergência. "Graças a Deus, senão ia ser seis meses apenas para fazer a licitação", justificou. Os vereadores presentes na reunião, inclusive da oposição, apoiaram a prefeita. "Não há muita saída nesse caso a não ser os contratos de emergência", afirmou o presidente da Câmara, José Eduardo Cardozo (PT). "Vamos estudar melhor, mas acho que nesse caso é aceitável", disse o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Montoro.

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