Marta e Genoíno choram tragédia e cobram governo

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), chegou às 13h50 na Câmara Municipal de Santo André acompanhada de seu namorado Luis Favre. Chorando muito, Marta foi recebida pelo deputado federal do PT José Genoíno. "A dor é muito grande. É intolerável o que está acontecendo. Chegou ao limite", disse a prefeita.Ela cobrou do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), medidas enérgicas. "Aguardamos medidas urgentes do governador do Estado. Foi Sílvio Santos, Washington Olivetto, os nossos prefeitos. Não há mais o que esperar acontecer para fazer alguma coisa. É uma situação muito dura para nós do PT e para toda a população. É uma grande tragédia", lastimou a prefeita.Questionada se o crime é uma retaliação ao partido, Marta respondeu: "Não sei, estamos aguardando. O que a sociedade quer é uma resposta. Hoje, envolve a nós a perda de uma pessoa extraordinária", disse. Com dificuldades para falar e amparada por Favre, a prefeita acrescentou que essa escalada precisa parar. "Há vários meses isso já está acontecendo e não vemos nenhum resultado desde a morte do Toninho", disse, referindo-se a Antonio da Costa Santos, prefeito de Campinas, assassinado há quatro meses. "Nos do PT vamos cobrar e fazer tudo para saber quem executou Celso Daniel, porque isso não é um assassinato, é uma execução", disse o deputado Genoíno.Liderança jovem - Visivelmente emocionado, chorando em alguns momentos, Genoíno disse que foi assassinado uma liderança jovem no País e que a situação é muito difícil para combater a violência em São Paulo e no País. "Queremos democracia e paz para trabalhar", disse. Na sua opinião, a segurança pública "precisa ser profundamente modificada e é preciso investimentos na polícia; mais que isso, é necessário combater a corrupção no Pais. Polícia forte não é polícia violenta, mas aquela que é competente".Genoíno ressaltou que as lideranças do PT estão assustadas com a situação de impunidade no Pais. "As duas cidades mais importantes de São Paulo tiveram seus prefeitos assassinados em menos de um ano. Não é só o PT que está sendo vítima mas toda a população", referindo-se ao prefeito de Campinas, assassinado há 4 meses.Indagado como ficará a pré candidatura de Lula, que tinha como coordenardor Celso Daniel, Genoíno respondeu que terá uma reunião com a liderança do partido para discutir essas questões. O deputado disse, ainda, que é necessário dar prioridade à segurança pública, "para por fim a esses escalabros", e que o PT terá que ter firmeza para discutir isso durante sua campanha.Vietnã - O deputado federal do PT Aloizio Mercadante disse hoje à tarde que "não é tolerável" que o prefeito Celso Daniel tenha sido assassinado "com essa brutalidade". Ele lembrou os tempos em que deu aula junto com Daniel na PUC e quando lutaram "juntos contra o regime militar", ressaltando que estava ao lado de Daniel nos últimos 21 anos. "Ele se tornou uma grande referência no PT", disse.O deputado lembrou dos últimos episódios que ocorreram com os prefeitos do PT, salientando que a morte do prefeito de Campinas ainda não foi desvendada. "Somando todos os episódios e considerando que todos recebemos ameaças por e-mail ou carta de origens distintas e conteúdo diferente, é preciso uma investigação. Há uma escalada de violência contra o PT e contra a população de São Paulo." Ele comparou as mortes ocorridas em São Paulo à guerra do Vietnã. "É um Vietnã a cada dois anos. Isso significa que 42% das verbas destinadas à Saúde pública vão para vítimas da violência", afirmou. Mercadante convocou a população para uma campanha contra a violência, pedindo que todos usem roupas brancas.

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