Marta estuda faixa exclusiva para motos

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), está estudando um projeto de lei que institui faixas exclusivas para motocicletas na cidade. Uma análise da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostra que 13 grandes vias de São Paulo concentram 70% dos acidentes com motos. No ano passado, estima-se que 250 motoqueiros morreram no trânsito. O projeto tem características semelhantes a uma proposta em análise do deputado Henrique Pacheco (PT) para o Estado e, se aprovado, determina a aplicação de multa para quem circular fora dessas vias exclusivas. A proposta ainda vai ser analisada pelo Departamento Jurídico da Prefeitura antes de ser enviada para a Câmara Municipal. As marginais do Tietê e do Pinheiros são as vias campeãs em ocorrências, com 1.217 e 925 acidentes, respectivamente, entre janeiro de 1996 e junho do ano passado, de acordo com dados da CET. Dos 9.754 acidentes computados com motoqueiros nesse período, 445 foram registrados na Avenida dos Bandeirantes, na zona sul. Pelo projeto, essas vias seriam as primeiras a receber as faixas exclusivas. Marta mostrou-se preocupada com o problema e citou, durante discurso, o atropelamento que resultou na morte do guitarrista dos Titãs, Marcelo Fromer, em junho. "A observação de normas de conduta e medidas de prevenção devem reduzir drasticamente essas ocorrências, que são ameaças para os motoqueiros e também para o pedestre, como aconteceu com Fromer", disse Marta. O guitarrista dará seu nome para uma passarela na Avenida Juscelino Kubitschek. "É uma forma de homenageá-lo", afirmou a prefeita.O problema dos motoboys foi discutido durante a posse do Comitê de Prevenção de Acidentes Graves e Fatais do Trabalho. A proposta da Secretaria da Saúde é implementar um Sistema de Vigilância Epidemiológica em cada um dos 41 distritos de Saúde da capital para controlar essas ocorrências. O secretário da Saúde, Eduardo Jorge, comparou os acidentes de trabalho a doenças epidêmicas. Ele acredita que, para esses casos, o tratamento dispensado tem de ser o mesmo. "O setor da construção civil é tradicionalmente o que mais registra acidentes. A vigilância visitaria obras, acompanhando os casos de ocorrências fatais da mesma forma que fazemos com doenças como meningite", afirmou.

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