Marta experimenta o transporte urbano de São Paulo - e não gosta

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), descobriu na manhã desta terça-feira os problemas que há anos causam indignação aos passageiros que utilizam o sistema de ônibus da capital paulista. Ao viajar em duas linhas que passam pelo extremo da zona leste da cidade, ela se surpreendeu com as repetidas reclamações sobre veículos sujos e malconservados que quebram no meio do caminho, a demora nos pontos de parada, as filas, a insegurança e, ainda por cima, a falta de troco.Para avaliar pessoalmente as condições do transporte e ouvir as queixas dos passageiros, Marta andou cerca de 15 quilômetros, em pouco menos de duas horas, em dois ônibus lotados das linhas 3781 (Cidade Tiradentes-Penha) e 374T (Cidade Tiradentes-Metrô Paraíso). A prefeita chegou às 7 horas ao ponto inicial da linha 3781, na Rua José Francisco Brandão, em Cidade Tiradentes.Antes de embarcar no primeiro ônibus, perguntou à doméstica Rosângela Maria Alves o que precisava ser melhorado. "Tudo", respondeu Rosângela, que ia pegar um ônibus até o Terminal Cidade Tiradentes e outro até o Parque D. Pedro II. "Os ônibus demoram demais. Já estou aqui há 15 minutos e vou esperar mais uns 40."Em seguida, Marta dirigiu-se à empregada doméstica Sandra Fernandes Cavalcante. "Se você fosse fazer uma mágica para melhorar o serviço, o que você faria?", indagou. "Eu colocaria mais ônibus", respondeu, de pronto, Sandra. "É, eu tenho a informação de que esta é a pior empresa da cidade (Viação Cidade Tiradentes). Por isso vim aqui ver com meus próprios olhos", disse a prefeita.Depois de ouvir mais passageiros com reclamações semelhantes, Marta embarcou no ônibus, acompanhada de mais de uma dezena de jornalistas e assessores, para a viagem até o Terminal Cidade Tiradentes. Ao pagar a passagem com duas notas de R$ 1,00, a prefeita teve uma surpresa.- Gente, que coisa, não tem troco! - exclamou, quase gritando, ao ouvir do cobrador que ele não tinha os R$ 0,60 para devolver, pois era a sua primeira viagem do dia.- Mas passageiro não tem obrigação de ter trocado - retrucou Marta.Depois de o cobrador e outros passageiros explicarem que o problema é comum, Marta afirmou estar indignada. O cobrador disse ainda que era só esperar um pouco que ela receberia seu troco. Só recebeu no fim da viagem.Já sentada, Marta continuava inconformada. "Podia imaginar que chacoalhasse, que demorasse, mas essa do troco foi além da conta. É um desrespeito total."No ônibus da outra linha, no qual viajou em pé, Marta ouviu mais reclamações e explicou o que a Prefeitura pretende fazer para melhorar o serviço. Segundo ela, a solução é a licitação que será aberta para a contratação de novas empresas, inclusive de outros Estados. Para a prefeita, no entanto, a cidade precisa de mais metrô, porque ônibus não é a solução para uma cidade de 10 milhões de habitantes.Segundo o secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, que preferiu esperar pela prefeita no Terminal São Mateus, ponto final da viagem, a primeira audiência pública que dará início ao processo vai ocorrer dia 31 na Assembléia Legislativa. "Isso deverá estar concluído até o fim do ano."No fim da viagem, Marta reconheceu que os passageiros têm razão de reclamar. Para a prefeita, os empresários de ônibus da capital estão defasados. "Eles não perceberam que, se remodelarem suas frotas e tentarem ser parceiros de verdade da Prefeitura, poderão prestar um serviço de qualidade e ganhar dinheiro", disse. Em seguida, ela embarcou em seu carro oficial.O Transurb, sindicato que congrega os empresários do sistema, não quis comentar as declarações da prefeita.A São Paulo Transporte nesta quarta-feira, às 10 horas, os envelopes com as propostas das empresas para a nova contratação de emergência do sistema. O novo contrato vai durar 180 dias.

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