Marta faz balanço positivo do seu governo

No sábado, 20 de janeiro, debaixo do sol forte das 10 horas, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), chegou ao estádio do Pacaembu, com um rolo de tinta em mãos, para dar início de forma não apenas simbólica ao seu projeto pessoal de recuperação dosreferenciais arquitetônicos da cidade. Liderando uma centena de paulistanos no primeiro ato público do Projeto Belezura, a megaoperação de "limpeza" da cidade, Marta dedicou-se com disposição a cobrir paredes com uma grossa camada de tinta creme. Alguns dias depois, o muro pintado pela prefeita amanheceu pichado.Cenas como esta, que a prefeita garante não serem "factóides idiotas", deram o tom ao primeiro mês de governo de Marta frente à maior prefeitura da América Latina. Ao completar hoje 30 dias no comando da cidade, Marta faz um balanço positivo do início de seu governo, apesar da falta de recursos, agravada pela dívida pública ? apenas com a União o débito é de R$ 10,5 bilhões. A prefeita ainda reclama da ausência de apoio dos governos do Estado e Federal.Durante esses 30 dias frente ao Palácio das Indústrias, Marta mudou seu discurso em relação ao governo federal, partindo para o ataque à política econômica de Fernando Henrique Cardoso. Com ou sem apoio do Estado e da União, ela garante que vai honrar os seus principais compromissos de campanha, sobretudo na área social. "Minha avaliação é que estamos dando continuidade às nossas propostas de campanha, que eram principalmente os projetos sociais",afirmou. Nesta semana, Marta prometeu criar 100 mil postos de trabalho na cidade, ainda em 2001, com a execução de seus programas sociais, entre eles o renda mínima (complementação de renda para famílias carentes) e o Banco do Povo (linha de crédito com juros abaixo do mercado parapequenos empreendimentos). "Não prometi nada que não pudesse fazer." Se até aqui faltou dinheiro, sobrou agitação. Aliás, foi o que mais a prefeita fez nos primeiros 30 dias de gestão. Marta gastou grande parte do tempo fazendo "peregrinações" pela cidade, em geral comvisitas à problemáticas administrações regionais.A prefeita também se dedicou a arquitetar jogadas de marketing. Como um almoço com os excluídos um dia após ter tomado posse. Ela nega, porém, que eventos desse porte sejam "factóides idiotas". Neste primeiro mês no comando da capital paulista, Marta ainda ficou conhecida como "a rainha dos pedidos", como ela própria se definiu. Isto porque a prefeita tem pedido doações, até mesmo de pneus para os veículos da prefeitura e luvas de borracha para abastecer a secretariade saúde. A prefeita garantiu que não chegou a ter "grandes surpresas" com a situação encontrada. "Sabíamos que o que iríamos encontrar. Mas isso aqui (prefeitura) é uma caixinha de Pandora que ainda está sendo aberta", afirmou a prefeita. Nem mesmo o fato de funcionários das administrações regionais terem de ser afastados por suspeita de corrupção chegou a surpreender a prefeita, já que era de seu conhecimento que a máquina estava comprometida. "Isso só nos da a certeza de que a implantaçãodas subprefeituras se faz necessária. E tem de ser feita de forma cuidadosa", disse.

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