Marta ignora declaração de Timóteo e rechaça turismo sexual

Dois dias após o vereador Agnaldo Timóteo (PR-SP) ter criado polêmica ao fazer uma defesa do turismo sexual no País, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, afirmou que uma das frentes de atuação de sua administração na pasta será exatamente a de combater o problema. Negando-se a comentar especificamente as declarações de Timóteo, Marta destacou que o Brasil não é um destino de turismo sexual e, por isso, não deve ser tratado como tal."É importante que nós brasileiros tenhamos essa consciência, senão a gente acaba transformando o nosso País numa coisa que não é", afirmou Marta, que teve nesta quinta-feira, 29, sua primeira atividade pública em São Paulo, desde que assumiu o ministério. A ministra visitou a feira de agentes de turismo Braztoa, organizada na capital paulista.Marta insistiu que o Brasil tem "enormes possibilidades turísticas a serem exploradas", às quais dedicará seus esforços no ministério. "Quanto ao trabalho infantil, à prostituição infantil, isso será combatido com grande força. A gente espera que esse tipo de turista vá preso".Apesar das declarações, Marta custou a falar sobre assunto. Mesmo questionada sucessivamente por jornalistas, a ministra manteve-se calada em todas as ocasiões. Sobre as declarações de Timoteo, disse apenas desconhecê-las. Depois de passar por muito empurra-empurra, já dentro do elevador do centro de convenções, Marta acabou aceitando reiniciar a entrevista coletiva.Na ocasião, a ministra também afirmou que não planeja nenhuma alteração na equipe do ministério. Segundo ela, a intenção é apenas substituir os funcionários que acompanharam o ex-titular da pasta, Walfrido dos Mares Guia, na mudança para a pasta de Relações Institucionais.Sobre a compra da Varig pela Gol, Marta disse que a operação é positiva para o setor, pois contribuirá para suprir uma demanda hoje não atendida de forma adequada no País. Em sua avaliação, haverá provavelmente o surgimento de um novo padrão de preços nas rotas internacionais. Debate na CâmaraNa terça-feira, 27, um debate sobre sexo envolvendo Agnaldo Timóteo (PR) e Claudete Alves (PT) elevou a temperatura no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. O ?clímax? ocorreu quando o vereador-cantor perguntou à petista quando ela teve a primeira relação sexual. No fim, Timóteo retirou suas declarações - mas manteve firme o pensamento. Tudo começou quando o vereador falou na tribuna sobre proposta da ministra do Turismo, Marta Suplicy, de combater o turismo sexual. Para Timóteo, o visitante que vem ao País atrás de sexo não pode ser considerado criminoso. ?Ninguém nega a beleza da mulher brasileira. Hoje as meninas de 16 anos botam silicone, ficam popozudas, põem uma saia curta e provocam. Aí vem o cara, se encanta, vai ao motel, transa e vai preso? Ninguém foi lá à força. A moça tem consciência do que faz?, declarou. ?O cara (turista) não sabe por que ela está lá. Ele não é criminoso, tem bom gosto.? Ele defendeu o ?direito sagrado? de mulheres de 16 anos fazerem sexo. Para Timóteo, o governo tem de oferecer trabalho. ?Assim se reduz a necessidade do turismo sexual. Quando saí de casa, não tive de dormir com ninguém, tinha emprego?.Diante do discurso, Claudete rebateu as declarações. ?É absurdo, temos campanha e lei contra exploração sexual. Uma menina de 16 anos é adolescente, não mulher.?

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