Marta obtém apoio de empresários para projetos sociais

Um exemplo de cidadania: apesar do recente aumento de impostos, o empresariado ainda mostra fôlego e disposição para colaborar com a prefeita Marta Suplicy (PT) na "reconstrução da cidade". Ela oficializou, nesta sexta-feira, em evento no Palácio das Indústrias, a criação do Fórum Empresarial de Apoio à Cidade de São Paulo e de um conselho, do qual participam nomes de peso como Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos, Horário Lafer Piva, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Setúbal, do Itaú e Viviane Senna, do Instituto Ayrton Senna.A Prefeitura quer ajuda para ampliar ou pôr em prática mais de 30 projetos, da reforma de parques até a capacitação de adolescentes para o mercado de trabalho, que somam mais de R$ 42 milhões só na fase de instalação."Herdamos muitos problemas, e a Prefeitura não daria conta de resolvê-los sozinha", disse a prefeita. "São Paulo conta com bons equipamentos públicos que, com poucos investimentos, poderão voltar à ativa." Os participantes poderão usar em sua publicidade o selo "Esta empresa ajuda São Paulo".Entre os projetos prioritários está o combate à fome e ao desperdício. A proposta é ampliar o Banco de Alimentos, programa que recebe sobras de feirões e supermercados de boa qualidade, que perderam o valor comercial, e os doa a entidades de atendimento a carentes. São, na maioria, produtos próximos do prazo de validade. O projeto já existe, mas está limitado - faltam caminhões para a distribuição dos alimentos e frigoríficos para a conservação de perecíveis.O Saúde da Família também deve ser ampliado. Para isso, será preciso melhorar a infra-estrutura nos 41 postos de atendimento, a R$ 50 mil cada, e construir outros 11, pelo menos.Na área de meio ambiente, a idéia é reformar 23 parques, como o Ibirapuera, que precisaria de R$ 2.125.000,00. O maior parque da cidade, o Carmo, com 1,5 quilômetro quadrado, custaria R$ 1.731.000,00. A atual gestão pretende também construir oito novos espaços, todos na periferia - ampliando o verde em 1.012.030 de metros quadrados.Os 20 telecentros, onde se disponibilizam computadores e acesso à internet gratuitamente, também precisam de reformas e novos equipamentos de hardware e software, além de mobiliário. O custo: R$ 100 mil. Os empresários poderão "adotar" um centro, a R$ 6 mil por mês.A maior parte dos empresários presentes à oficialização do fórum é favorável a parcerias entre o governo municipal e empresas, para o desenvolvimento de projetos sociais e de recuperação urbana.Para o presidente do Grupo Ultra, Paulo Cunha, a prefeita Marta Suplicy (PT) está desempenhando seu papel quando procura empresas, em busca de ajuda para resolver alguns problemas. "Há carência de recursos e, por isso, existe urgência em buscar fontes de financiamento para administrar a capital."O presidente do Grupo Telefônica no Brasil, Fernando Xavier Ferreira, também considera que a prefeita agiu corretamente. "O que ela está fazendo é um pedido. A ajuda não é compulsória." Segundo ele, com as privatizações, o Estado deixou de ter empresas que muitas vezes desempenhavam uma função social.Agora, essa tarefa, de acordo com o presidente do Grupo Telefônica, está a cargo das empresas privadas. "Elas também fazem parte da sociedade e devem participar da solução de seus problemas. A Telefônica, por exemplo, desde o início da atual gestão fez vários projetos em parceria com a Prefeitura."Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, o exercício do poder está mostrando à prefeita e ao PT que não se pode fazer nada sozinho. "Eles estão aprendendo na prática que só a sociedade consegue fazer mudanças", declarou. "Governo sozinho não consegue nada. É compartilhando responsabilidade e resultados que se avança."Burti reconheceu que Marta recebeu uma "herança danosa". "Mas a situação é uma oportunidade para esse novo PT se conscientizar dos nossos conceitos do que é administrar", disse. "É um processo de transformação de uma cultura de 20, 25 anos, que tem vícios de origem."Além de solicitar recursos financeiros, materiais, equipamentos e serviços, a administração municipal pretende contar com o trabalho voluntário dos funcionários das empresas. Nas ruas, a população também se mostra otimista. "Acho que a prefeita está no caminho certo. Se todo mundo fizer um pouco, todos ganharão", disse o aposentado José Maria Nascimento. "É o mesmo espírito que o presidente Lula pretende empregar."Para o analista de sistemas Robson Costa, com a Prefeitura e a presidência do mesmo partido a cidade poderá ser beneficiada. "Eles pensam da mesma forma e parecem dispostos a abrir espaço para a participação da sociedade."

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