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Marta promete combate à corrupção em São Paulo

Três dias após a denúncia de que fiscais continuam cobrando propinas de camelôs no centro de São Paulo, a prefeita Marta Suplicy (PT) anunciou nesta segunda-feira um pacote de medidas de combate à corrupção. A partir de agora, o governo contará com ajuda de órgãos estaduais e federais para combater a extorsão e o comércio ilegal de mercadorias; 160 funcionários serão afastados do trabalho de rua e o governo vai apoiar a abertura de uma CPI na Câmara para investigar corrupção.A prefeita anunciou as medidas, no Palácio das Indústrias, acompanhada de promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), delegados da Receita e da Polícia Federal e de vereadores aliados na Câmara. Marta admitiu que a corrupção continua. ?A máquina está corrompida.? Ela disse, porém, que os esquemas de extorsão são menores do que a rede de corrupção investigada na gestão do ex-prefeito Celso Pitta (PSL).A principal medida será o decreto para criar uma força-tarefa de combate à corrupção. Nos mesmos moldes da força que investigou a máfia dos fiscais, o grupo será coordenado pelo ouvidor-geral da Prefeitura, Benedito Mariano. O objetivo será investigar novos mecanismos de extorsão e propostas para eliminar os focos de corrupção.?A atuação da máfia é diferente da que investigamos no passado?, disse o promotor José Carlos Blat, que participará das investigações. ?Hoje, os esquemas são mais sofisticados.?O plano inclui combate ao comércio de mercadorias ilegais, roubadas e falsificadas. O governo vai pedir a aprovação do projeto de lei que permite doar mercadoria apreendida a instituições de caridade. Na administração, cerca de 160 funcionários que respondem a processos administrativos, a maioria fiscais, serão transferidos para funções internas e as investigações sobre corrupção terão prioridade. ?A partir de agora, um processo de corrupção, por exemplo, terá prioridade sobre um processo contra um servidor acusado de faltar muito no serviço?, disse Marta. A prefeita também quer uma CPI para investigar a máfia, desde que seja comandada pelos aliados do governo na Câmara. ?CPI quem pede é o PT?, afirmou Marta. A articulação é uma resposta aos vereadores do PSDB, que querem CPI semelhante, mas presidida pela oposição. Segundo o líder do governo na Câmara, José Mentor (PT), a idéia é que a nova CPI substitua uma das cinco em andamento, que devem ser encerradas logo.O ouvidor negou que as medidas sejam uma resposta às denúncias veiculadas pela televisão. ?Isso tudo seria implementado de qualquer maneira após a criação da Secretaria de Segurança Urbana?, disse Mariano. Ele lembrou que, desde o início do governo, 278 servidores suspeitos de corrupção foram punidos.

Agencia Estado,

27 de maio de 2002 | 20h52

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