Marta reconhece que programa contra cheias não resolve

Pouco caso do governo federal, dificuldades orçamentárias e pendências deixadas pelas administrações anteriores foram as justificativas usadas pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), para mais uma enchente na região do Córrego Aricanduva. O discurso não poupou nem o programa contra cheias, São Paulo Protege, criado em seu governo. "Isso também percebo como um paliativo péssimo mas, no momento em que não se pode construir piscinões, você tem de pensar em algumas alternativas", disse, durante inauguração de uma creche em Cidade Tiradentes, na zona leste de SP.Marta afirmou que a região precisa de 11 piscinões para conter as cheias. Há, no local, três piscinões prontos e um em construção, prometido para o fim do ano. "O problema mais grave que enfrentamos são os precatórios, porque outros governos desapropriaram os terrenos e não pagaram. Tivemos de pagar 150 precatórios para iniciar uma obra", disse a prefeita.Essas pendências estariam atrasando as obras de canalização do córrego e da construção do piscinão Aricanduva 2. Os seis piscinões projetados pela Secretaria de Infra-Estrutura Urbana (Siurb) que completam os 11 necessários para a Bacia do Aricanduva ficariam nos Córregos Aricanduva, Inhumas, Taboão e dos Machados. No Córrego Rincão, seriam duas obras. Somando-se os custos das seis construções ao alargamento do canal do córrego e à elevação de pontilhões da Avenida Aricanduva, o investimento total chega aos R$ 100 milhões.A prefeita não soube responder qual o orçamento deste ano para o combate à enchentes. "É grande, mas dentro do orçamento limitado por outras demandas", afirmou.Marta também comentou a decisão de não regulamentar a Lei 13.102, do vereador Arselino Tatto (PT), aprovada na Câmara Municipal de São Paulo, em dezembro de 2000, que prevê a redução do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ou do Imposto Sobre Serviços (ISS) para imóveis em áreas sujeitas a enchentes. "Ela (lei) está parada mesmo e não pretendo fazer nada com ela por enquanto", limitou-se a dizer.Procurado pela reportagem, Tatto estava em plenário na Câmara e não respondeu às ligações.

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