Marta retira 301 ônibus das ruas de SP

Depois da greve de dois dias no sistema de transporte municipal que atingiu a cidade na semana passada, a Prefeitura resolveu vetar nesta segunda-feira a circulação de 301 ônibus nas ruas a partir do dia 6, por falta de condições de segurança, e exigir reformas em outros 618. Isso significa que cerca de 10% da frota em operação na cidade (estimada em 9,5 mil veículos) têm problemas. Uma auditoria na frota da cidade está sendo feita desde a penúltima paralisação de motoristas e cobradores de ônibus, em 6 de junho. As empresas com maior número de veículos retirados de circulação são as viações Santa Bárbara (167 ônibus) e São Judas (118). Também deverão tirar ônibus do sistema as empresas Nova Paulista (1), Mar Azul (5), Ibirapuera (5) e Farol da Barra (5). Os outros 618 veículos, segundo a Secretaria de Transportes, passaram por vistoria de condições de segurança e, caso não sejam considerados aptos em novo exame após as mudanças, que devem ocorrer em 60 dias, também sairão das ruas. As empresas que precisarão realizar mais reformas nos ônibus são a Santa Bárbara (322 veículos), São Judas (120) e Campo Belo (93), além da Cachoeira (1), Mar Azul (12), Nova Paulista (8), Paulistanos (19), VCT (7), Santo Amaro (3) e Farol da Barra (33). Coincidência ou não, as empresas São Judas e Santa Bárbara pertencem a lotes do sistema que tinham o maior número de ônibus velhos circulando pela cidade: a primeira, nas áreas leste (211 veículos velhos) e sudeste/sul (221); a outra, na sul (372) e sudoeste (97). Para evitar problemas no atendimento das linhas que perderão veículos, a Prefeitura alega que poderá deslocar ônibus de outras empresas dos consórcios que atuam na cidade, daqueles que hoje atuam na modalidade Bairro a Bairro ou até mesmo lotações. O atual contrato do sistema de ônibus é de emergência, deve vencer no dia 21 de julho e ser renovado por mais seis meses. O Transurb, sindicato dos donos de empresas de ônibus, só deve se manifestar hoje sobre a decisão da Prefeitura. A tendência, porém, é que a atitude da Prefeitura seja encarada como represália pelas paralisações e pedidos de subsídio que têm ocorrido desde 2001. Até agora, apesar de afirmar que não subsidiaria mais os empresários, a administração resolveu abrir mão de uma taxa de R$ 0,02 de cada passagem para que as empresas pudessem investir a verba em convênio médico para os funcionários ? que, no início de junho, chegaram a parar durante a negociação do reajuste salarial.

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