Marta sugere que lotações recebam de empresas

A Prefeitura de São Paulo pode incorporar parte dos perueiros que circulam na cidade ao sistema formal de transporte coletivo. Pela proposta, apresentada nesta segunda-feira pela prefeita Marta Suplicy (PT), os donos de lotação seriam pagos pelas empresas para percorrerem trajetos complementares aos dos ônibus. "As empresas poderiam contratar os perueiros para transportarem as pessoas dos bairros mais distantes até os pontos de ônibus", disse a prefeita, após inauguração do canal Bandnews, da Rede Bandeirantes. O transporte seria gratuito e os proprietários de lotação receberiam de acordo com o trajeto percorrido. Projeto semelhante já foi posto em prática pelo prefeito Antonio Palocci (PT), em Ribeirão Preto (SP). Segundo a prefeita, o projeto beneficiaria todas as partes envolvidas. "Para os donos das empresas seria interessante, pois, apesar de gastarem dinheiro para o pagamento das peruas, eles teriam passageiros garantidos para os ônibus." A Prefeitura espera um parecer da Procuradoria-Geral do Município sobre a licitação promovida na gestão passada para legalização de 4.042 peruas. A licitação foi suspensa por suspeita de irregularidades. Caso o parecer seja negativo, os donos de peruas cadastrados na licitação terão prioridade para se associar às empresas. Se a licitação transcorrer normalmente, poderão ser chamados mais mil ou 2 mil perueiros, além dos que serão legalizados. O secretário municipal de Transportes, Carlos Zarattini, disse que uma comissão técnica da secretaria estuda a possibilidade de as empresas contratarem perueiros. Numa reunião com donos de lotação, Zarattini propôs a criação de um fórum para discutir o modo de atuação dos perueiros. "Espero que, com as conversas, não haja mais reação violenta à fiscalização." No início desta noite, o secretário recebeu perueiros que participaram da licitação feita na festão passada. Os motoristas disseram que não vão aceitar trabalhar com as empresas de ônibus. Zarattini afirmou que a proposta ainda depende de estudo técnico feito pelas empresas. O resultado deve sair em 15 dias. Na opinião do presidente da Cooperativa dos Profissionais Autônomos de Transporte Alternativo, Francisco de Mola Neto, a associação com empresas é impossível. "Queremos viver bem com as empresas, mas não fazer negócio com elas", disse o líder. O secretário também se reuniu com o secretário-adjunto de Estado da Segurança Pública, Mário Paterra Limongi. Segundo a assessoria de Limongi, serão tomadas medidas para evitar represálias de perueiros. Nesta segunda-feira de manhã, o grupo de clandestinos concentrou-se na frente do Palácio das Indústrias. Uma comissão da categoria foi recebida à tarde por Zarattini. O comboio, de 150 peruas, seguiu então para a Secretaria dos Transportes.Os líderes de perueiros receberam a promessa do secretário de apurar as denúncias de possíveis abusos da fiscalização.

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